25/11/2002 13h45 – Atualizado em 25/11/2002 13h45
RAMALLAH, Cisjordânia – Três soldados israelenses forçaram um palestino a tirar a roupa sob a mira de uma arma e andar de quatro, como um cachorro, em uma cidade cisjordana, disseram testemunhas palestinas. Um fotógrafo da agência de notícias Reuters registrou as imagens de Yasser Sharaf, de 25 anos, de pé e nu em uma rua fria e lamacenta de Nablus no domingo, enquanto dois homens lhe estendiam roupas e dois veículos blindados israelenses deixavam o local. Sharaf se negou a comentar o episódio nesta segunda-feira.
A denúncia foi feita no dia em que um menino palestino de 8 anos foi morto por tiros disparados por forças israelenses também em Nablus. A morte ocorreu depois de três crianças terem atirado pedras nos soldados israelenses, no centro da cidade. Funcionários de um hospital disseram que Jihad al-Faqih foi morto depois de sair de uma escola.
Exército nega humilhação – Fontes militares de Israel negaram que Sharaf tenha sido forçado a tirar a roupa, dizendo que os soldados tinham ordenado que ele levantasse sua camisa para mostrar se carregava explosivos.
- Quando ele viu pessoas da imprensa na área, decidiu tirar totalmente a roupa – disse uma fonte militar.
Testemunhas que incluiam dois bombeiros palestinos disseram que os soldados israelenses pararam Sharaf depois de tê-lo visto andando pelas ruas, em desafio ao toque de recolher. Eles teriam apontado seus rifles para o rapaz, ordenando-o a tirar as roupas.
- Yasser disse que não tinha nada a esconder, mas eles continuaram gritando e aprontaram seus rifles para disparar – disse o bombeiro Samir el-Lifdawi. – Eles forçaram Yasser a tirar as roupas, inclusive as de baixo. Mandaram ele andar como um cachorro e ele explodiu em lágrimas.
Civis palestinos costumam reclamar de humilhações e abusos de tropas israrelenses, que reocuparam cidades autônomas palestinas na Cisjordânia, em combate à revolta de dois anos contra a ocupação israelense. O Exército diz que controles estritos sobre os moradores são necessários, porque militantes se mesclam à população antes de realizar atentados.
Fonte: Reuters





