19/11/2002 09h07 – Atualizado em 19/11/2002 09h07
O libanês naturalizado paraguaio Assad Ahmad Barakat, 37, preso desde 21 de junho e esperando decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre pedido de extradição do Paraguai, diz que há um “complô econômico” para sua prisão. Ele nega envolvimento com o terrorismo internacional, crime atribuído a ele pela Justiça do Paraguai.
Barakat conversou, por telefone, com a Agência Folha de sua cela na Delegacia de Custódia da Polícia Federal em Brasília, na segunda-feira (11).
O detido também disse que irá processar a TV CNN, que, no último dia 7, disse que ele estava foragido e envolvido com a preparação de atentados contra os EUA a partir da região de fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
“Esse absurdo só veio se somar ao monte de mentiras que forjaram contra minha pessoa”, disse.
Ele acusou o também libanês Ali Ahmad Zaioun, que vive em Ciudad del Este, de articular “uma vingança comercial” contra ele.
“Zaioun e um agente da Polícia Nacional [paraguaia], Esteban Aquino, vivem de extorquir [dinheiro de] comerciantes. Se o Brasil me enviar ao Paraguai, e eu pagar o que querem, vou ser liberado. Zaioun tinha uma disputa comercial comigo e forjou essas histórias que viraram um guerra terrorista”, afirmou.
Muçulmano xiita, Barakat disse ser simpatizante do grupo Hizbollah, “como aqui no Brasil existem simpatizantes do PT, e isso não é crime”.
O Hizbollah, grupo extremista que combateu a invasão israelense do sul do Líbano (1982-2000), é um partido político com representação parlamentar.
Ele disse que tem sido apoiado pelo embaixador do Líbano no Brasil, Shaia Al Kuri, e que isso “é mais uma prova de que nada devo à Justiça do Brasil, do Líbano ou do Paraguai”.
Barakat é acusado pela Justiça paraguaia dos crimes de apologia ao crime, associação criminosa e sonegação fiscal. Ele nega e afirma que está sendo extorquido por Zaioun e Aquino em US$ 50 mil.
Procurados pela Agência Folha por telefone, Ziaoun e Aquino não foram localizados.
Foz
O presidente da Associação Árabe Brasil, Mohamad Mahmod Ismail, 35, disse que o Brasil precisa “ter uma participação mais efetiva na defesa da região de Foz”.
Segundo ele, os ataques “da mídia internacional à tríplice fronteira fazem parte de uma política americana para a região”.
“Aqui existe um dos maiores reservatórios de água doce das Américas, a hidrelétrica de Itaipu e existia o terceiro mercado mundial. Não é de graça que a região está sendo constantemente agredida”, afirmou Ismail.
Fonte: Agência Folha





