18/11/2002 08h53 – Atualizado em 18/11/2002 08h53
Helicópteros israelenses lançaram mísseis contra um quartel palestino e tanques invadiram os subúrbios da Cidade de Gaza, refletindo a pressão que sofre o primeiro-ministro Ariel Sharon para endurecer as ações contra os palestinos.
A tensão foi agravada por um ataque palestino a um assentamento na Cisjordânia e pela tentativa de sequestro, no domingo, de um avião da empresa israelense El Al, que ia de Tel Aviv a Istambul.
Em Gaza, o quartel da força de segurança preventiva foi atingido por dois mísseis, no subúrbio de Tel Al Hawa. Em seguida, cerca de 30 blindados invadiram a área.
Houve várias explosões quando os israelenses tentavam demolir uma parede do local. Um repórter da Reuters viu pelo menos dois prédios em chamas dentro do quartel. Fontes de um hospital disseram que três soldados palestinos ficaram feridos.
Testemunhas afirmaram que os soldados israelenses deixaram a região ainda antes do amanhecer, após um tiroteio.
Não se sabe se essa ação foi parte da represália pela emboscada de sexta-feira (15) em um assentamento judaico perto de Hebron, na Cisjordânia. Políticos de direita, que acabam de entrar no governo, pressionaram Sharon numa reunião ontem a agir com mais dureza contra os palestinos.
Em período eleitoral, Sharon não quer demonstrar fraqueza contra os palestinos, mas tampouco pode irritar os Estados Unidos, seus aliados, que não desejam mais turbulências no Oriente Médio.
No sábado (16), Israel enviou tropas para garantir o controle sobre Hebron. As casas onde viviam os autores da emboscada foram demolidas.
Em visita a Hebron, Sharon se disse disposto a criar uma “continuidade territorial” entre a cidade, onde estaria enterrado o patriarca Abraão, e o vizinho assentamento de Kiryat Arba, onde ocorreu a chacina. Para abrir esse corredor seria necessário demolir casas palestinas, medida condenada pela comunidade internacional.
Já no domingo os colonos montaram um acampamento perto do local do ataque, num prenúncio das possíveis obras de ampliação do assentamento.
Durante a reunião do gabinete, no domingo, o chanceler interino Binyamin Netanyahu, propôs novamente que o líder palestino Iasser Arafat seja enviado para o exílio. Netanyahu disputa com Sharon a indicação do partido Likud para concorrer às eleições de 28 de janeiro.
Ainda no domingo, o irmão de um militante palestino foi morto na invasão de sua aldeia por tropas israelenses, perto de Tulkarm.
No vôo 581 da El Al, agentes de segurança conseguiram dominar um passageiro que tentou invadir a cabine do piloto armado de um canivete. O avião, com 170 passageiros, pousou sem maiores incidentes na Turquia. O suspeito está sendo interrogado.
Fonte: Reuters





