12/11/2002 10h27 – Atualizado em 12/11/2002 10h27
Em termos de volume, a expansão é de 14,7%, alcançando a marca de 760 mil toneladas vendidas fora do País. “Os sinais de recuperação nas exportações brasileiras de carne são claros. Isto mostra que o Brasil tem condições de ter maior espaço no mercado internacional”, disse o chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco. Segundo ele, essa tendência é reforçada pelo controle da febre aftosa no País, que permitiria maior aceitação da carne brasileira no exterior, e pela desvalorização cambial, que torna o produto nacional mais competitivo.
A CNA divulgou dados do relatório da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da Organização das Nações Unidas (ONU) que aponta uma tendência de as exportações do País atingirem em volume uma expansão de 20% em todo o ano. O avanço está acima dos 6% previstos para o comércio mundial em 2002. Os números corroboram a avaliação de que os produtores de carne estão em um bom momento para exportar, pois o câmbio está altamente rentável. Segundo Pernambuco, a desvalorização de mais de 50% do real ante o dólar neste ano superou em muito a queda de 9,5% nos preços em dólares da carne bovina. “Mesmo com a queda nos preços internacionais, a rentabilidade cresceu demais. Os ganhos dos produtores ficaram muito acima da inflação”, disse.
Tendência
No mercado interno, os produtores também não têm do que reclamar, pois os preços em outubro assumiram tendência de alta. O indicador do boi à vista da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (Esalq/ BM&F), compilados pela CNA, subiu 11,7%, atingindo R$ 56,79. De acordo com a Esalq/BM&F, os contratos no mercado futuro de boi “estão carregados pela expectativa de elevação de preços”. Segundo o coordenador-geral do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, o movimento reflete a redução nos confinamentos e semiconfinamentos de gado, motivado principalmente pela elevação nos custos desta forma de produção.
Os principais insumos utilizados neste sistema – milho e farelo de soja – subiram 50% e 70%, respectivamente, desestimulando a produção. “Com a menor oferta, os preços internos se elevaram”, disse Nogueira.
Fonte: Panorama Brasil




