12/11/2002 14h29 – Atualizado em 12/11/2002 14h29
Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sitio do interior. Um dia o marido fez a seguinte proposta a esposa:
- Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condiçoes para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortavel. Nao sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você. Assim sendo o jovem saiu.
Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito. Pediu para fazer um pacto com o patrao, o que tambem foi aceito. O pacto seria o seguinte:
-
Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigaçoes. – Eu nao quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. – No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho. Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos chegou para o patrao e disse:
-
Patrao, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa. O patrao entao lhe respondeu:
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Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem? Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e nao lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu nao lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu nao lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense depois me de a resposta. Ele pensou durante dois dias, procurou o patrao e disse-lhe:
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Quero os três conselhos. O patrao novamente frizou:
-
Se lhe der os conselhos, nao lhe dou o dinheiro. E o empregado respondeu:
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Quero os conselhos. O patrao entao lhe falou: Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida; Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade pro mal pode ser mortal; Nunca tome decisoes em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais. Após dar os conselhos, o patrao disse ao rapaz, que já nao era tao jovem assim:
-
Aqui você tem três paes, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa. O homem entao, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
-
Pra onde você vai? Ele respondeu:
-
vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada. O andarilho disse-lhe entao:
-
Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que “é dez” e você chega em poucos dias. O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, entao voltou e seguiu o caminho normal. Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensao à beira da estrada, onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto so e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, após tomar o cafe, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele nao havia ouviu um grito e ele disse que tinha ouvido. hospedeiro disse:
-E você nao ficou curioso? ele disse que nao. No que o hospedeiro respondeu:
-
Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal. O rapaz proseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada… Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela nao estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coraçao se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade. Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho. Entao parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisao. Ao amanhecer, ja com a cabeça fria ele disse:
-
Nao vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrao e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela. Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas nao consegue. Entao com lágrimas nos olhos, lhe diz:
-
Eu fui fiel a você e você me traiu. . . Ela espantada lhe esponde:
-
Como? Eu nunca te trai, esperei durante esses vinte anos. Ele entao lhe perguntou:
-
E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer? E ela lhe disse:
-
Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade. Entao o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho contou-lhes toda a sua historia, enquanto a esposa preparava o café. Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pao. Após a oraçao de agradecimento, com lagrimas de emoçao, ele parte o pao e, ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicaçao. Muitas vezes achamos que o atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre verdade… Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará… Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, fatalmente nos arrependemos depois…




