12/11/2002 14h35 – Atualizado em 12/11/2002 14h35
O Banco Central não aceitou pagar as altas taxas cobradas pelos investidores e alongou apenas mais US$ 174,8 milhões da dívida cambial que vence na quinta-feira, deixando sem rolar mais de 40% do US$ 1,9 bilhão a vencer.
O mercado estressou e aumentou a demanda por dólares em dinheiro vivo, fazendo a cotação atingir a máxima do dia. Há pouco, a moeda era cotada a R$ 3,61, em alta de 2,79% e o volume de negócios caiu. Enquanto isso, o risco Brasil sobe 0,56% para 1.787 pontos.
“O mercado está parado, parado”, afirmou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação.
Embora muitos analistas considerem positivo para o BC liquidar sua dívida cambial e reduzir sua exposição ao dólar, a falta de demanda na operação e a corrida por dólares “”ao vivo” indica que existe demanda por moeda para saldar vencimentos particulares, e não para “hedge” (proteção cambial), o que detona um efeito dominó e leva outros investidores a comprarem.
Há também pressão por parte de alguns investidores para incharem a cotação e aumentarem seus lucros com os contratos cambiais que vencem, indexados ao dólar mais liquidados em reais.
Além disso, a divulgação, pelo IBGE, do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de outubro alimentou no mercado preocupação com um possível aumento de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), na semana que vem.
A inflação subiu 1,31% no mês passado e é a maior desde julho de 2001, estimulada pela alta do dólar. Juros mais altos inibem o consumo e por consequência, barram aumento mais fortes de preço. Atualmente, a taxa de juros básica da economia, a Selic, é de 21% ao ano, aumentada em três pontos percentuais em reunião extraordinária do Comitê no início de outubro.
Fonte: Folha Online





