11/11/2002 09h22 – Atualizado em 11/11/2002 09h22
LONDRES – Um estudo inovador, pelo qual um grupo de 14 homens foi monitorado com sensores nos escalpos, revelou: aquela história de que “um copo só não faz mal” está totalmente equivocada.
A pesquisa, dirigida por K. Richard Ridderinkhof, das universidades de Amsterdã e de Leiden, descobriu que uma única dose de álcool já é suficiente para prejudicar a capacidade de uma pessoa em raciocinar rapidamente e detectar erros.
Ridderinnkhof testou os voluntários em três fases, após implantar-lhes os sensores eletrônicos: na primeira, os homens ingeriram um placebo; na segunda, uma única dose de bebida alcoólica; na última, várias doses.
Na seqüência, os voluntários foram submetidos a um teste de computador que exigia raciocínio rápido e avaliação instintiva.
Mesmo o consumo de um único drinque levou à detecção rápida de mudanças no cérebro, o que fez os pesquisadores concluírem que “doses modestas” de álcool já são suficientes para afetar a capacidade mental do homem em reconhecer e corrigir erros.
A quantidade de bebida dada aos voluntários variou de acordo com o peso dos mesmos, mas sempre com 37,5 por cento de teor alcoólico. Os drinques foram consumidos em um espaço de 20 minutos.
Em seu estudo, publicado na edição on-line da revista Science, Ridderinkhof e seus colegas explicaram que os testes, aplicados no computador, envolviam uma flecha e um alvo.
Ao lado das flechas apareciam outras, que poderiam apontar tanto para a direção certa como para a errada. O desafio era ignorar as flechas que apareciam na tela do computador somente para distrair a atenção e apertar corretamente as teclas que as enviavam para a direita ou para a esquerda.
Para mandar a flecha para a esquerda, o voluntário tinha que apertar uma tecla operada por sua mão esquerda; para a direita, era preciso usar a outra mão.
Após consumirem apenas o placebo, os voluntários apresentaram uma taxa de erro de 4,8 por cento. Essa margem subiu para 19,8 por cento após o primeiro drinque, que também provou aumentar o tempo necessitado pela pessoa para decidir qual a resposta correta.
A avaliação das ondas cerebrais revelou que doses pequenas de bebida afetam rapidamente a região do cérebro que influencia os processos de pensamento e a detecção inconsciente do erro.
Ou seja, a ingestão de uma dose de álcool poderia fazer com que um motorista a não percebesse um imprevisto, como uma criança cruzando repentinamente à frente de seu carro, disseram os pesquisadores.
Para o professor de psiquiatria Henri Begleiter, da Universidade do Estado de Nova York, no Brooklyn, o estudo mostra algo até então desconhecido sobre a sensibilidade do cérebro ao álcool.
“Mesmo um nível pequeno de álcool pode prejudicar a resposta”, comentou.
Fonte: Associated Press





