11/11/2002 09h48 – Atualizado em 11/11/2002 09h48
A primeira e mais divulgada é a suspeita de febre aftosa, que periodicamente ronda o Brasil ou os países vizinhos. Apesar de nos últimos anos o Brasil ter aberto novos mercados no Oriente Médio, Europa e África, os importadores que não compram de países que ainda têm febre aftosa chegam a pagar 50% a mais do valor praticado no mercado internacional.
A segunda barreira à exportação da carne in natura brasileira está camuflada por uma diferença cultural: o paladar do americano ainda não se adaptou à carne bovina do Brasil. “Não se questiona lá fora a qualidade do gado brasileiro, porque isto é incontestável. O problema é que o norte-americano tem preferência pela carne marmoreada, porque ela é mais suculenta. Nosso gado, na sua maioria da raça nelore, não possui este entremeio de gordura”, explica a pecuarista sul-matogrossense Tereza Cristina Correa da Costa Dias. Ela esteve participando, entre os dias 24 e 26 de outubro, da Convenção Anual 2002 do American Meat Institute (Instituto Americano da Carne). O evento aconteceu em New Orleans, Estados Unidos, e pela primeira vez teve a participação de uma delegação brasileira.
“O objetivo da convenção é criar oportunidades para encontros com grandes importadores e usuários finais de carne preparada e com potenciais importadores de carne bovina in natura. Nesse encontro, tivemos a chance de saber o que o mercado internacional realmente quer de nós”, explica Tereza. A pecuarista voltou da viagem com a certeza de que o potencial do Brasil é muito superior ao que ele exporta atualmente. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão ávidos de matéria-prima, porque sua produção já não atende à demanda do mercado. “Há 20 anos, os Estados Unidos abatiam 130 milhões de toneladas de carne anualmente. Hoje o abate caiu para 87 milhões de toneladas, enquanto a demanda cresceu.
Aí está a grande chance de o Brasil se firmar como exportador”, alerta Tereza. “Existe outro ponto favorável a nós: por conta da ingestão da carne americana, que não tem restrição à aplicação de hormônios e antibióticos, muitas pessoas estão imunes à ação desses remédios. Com a nossa carne isto é mais raro porque a fiscalização coíbe”, completa. Segundo ela, os próprios norte-americanos reconhecem que, do ponto de vista da saúde, a preferência pela carne marmoreada não é a opção correta. “Eles sabem que faz mal à saúde, mas não mudam os hábitos alimentares. Então, apesar de a carne brasileira ser de excelente qualidade, o produtor terá que adequar seu produto ao gosto do norte-americano, se quiser se firmar como exportador.” Outro dado apresentado durante a convenção justifica a preferência norte-americana. Um pesquisa encomendada pela cadeia produtiva da carne americana descobriu que 70% dos norte-americanos que trabalham fora fazem suas refeições dentro do carro, caminhando nas ruas ou esperando em filas.
“O norte-americano come cada vez mais rápido e mastiga cada vez menos. Eles não têm tempo nem paciência de ficarem mastigando várias vezes o pedaço de carne. Por isto, quanto mais suculenta, mais fácil de engolir”, esclarece Tereza.
Fonte: Correio do Estado





