08/11/2002 22h09 – Atualizado em 08/11/2002 22h09
Na próxima quinta-feira governador terá esboço da reforma administativa que deve implicar no desmembramento de secretarias. Reestruturação não provocará aumento de gastos e nem contratação de mais servidores
Campo Grande (MS) – O governador Zeca do PT afirmou, em entrevista coletiva à imprensa, que primeiro vai definir o “manequim” da equipe para depois escolher nomes para a formação do novo secretariado. O governador começou a discutir no início da semana com partidos aliados e nesta sexta-feira reuniu os parlamentares do PT para tratar da formação do novo governo. “Não pode ser só a continuação, porque aí vira um governo velho, perde a motivação. Nós vamos começar um outro governo e quero definir muito bem, deixar muito claro o modelo administrativo para, antes do final do ano, apresentar a nova equipe e também as prioridades para os primeiros 100 dias e o primeiro ano, aproveitando o próximo governo para fazer os melhores quatros anos de Mato Grosso do Sul”.
Participaram da reunião com o governador o senador eleito Delcídio Gomez do Amaral, o vice-governador eleito Egon Krakhecke, deputados federais Antonio Biffi e João Grandão, deputados estaduais Semy Ferraz, Pedro Kemp e Pedro Teruel, o secretário de Receita e Controle, Paulo Duarte, e o presidente regional do PT, Mariano Cabreira, além do representante do Estado na equipe de transição do governo Lula, Heitor Miranda dos Santos.
A nova composição do secretariado, segundo Zeca, vai prestigiar o PT. O partido, segundo ele, foi muito generoso neste primeiro governo, compreendendo que era preciso construir espaços para a governabilidade. Zeca disse que o PT continuará cedendo, mas será mais valorizado e sinalizou que o partido não terá apenas duas ou três secretarias, até porque o novo quadro político oferece também a oportunidade de preenchimento de cargos federais. Na estrutura do governo federal, são 22 mil cargos em comissão. Os cargos federais no Estado serão discutidos pelo governador e o presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva e ainda junto à equipe de transição.
O modelo administrativo para o novo governo, que Zeca define como “manequim”, vai obedecer, segundo o governador, o perfil do governo Lula. “Quero que o nosso modelo tenha identidade com o governo de Lula”, afirmou. Segundo Zeca, na próxima quinta-feira, depois de concluir as conversas com o PT e partidos alidados, receberá o esboço da reforma. O governador disse que pediu estudos para saber da viabilidade ou não de desmembramento das secretarias de Produção e de Assistência Social, Cidadania e Trabalho. Zeca também quer fortalecer a Casa Civil, com a criação de sub-chefias. O governador, no entanto, voltou a salientar que a nova estrutura não pode implicar em aumento de despesas e nem criação de cargos. “Vamos aproveitar os funcionários, fazendo remanejamento e adequando à nova estrutura”.
A partir de segunda-feira, o governador Zeca começa a receber em audiências separadas os secretários de Estado, para discutir quais foram as ações mais importantes, projetos que foram desenvolvidos e outros que não foram executados e quais seriam as prioridades para o novo governo.
Na reunião com a bancada do PT, o governador disse que Mato Grosso do Sul terá muita influência no governo federal a partir de 2003. “Não queremos privilégios, mas sim ser prestigiados para canalizar recursos a projetos nas áreas de infra-estrutura, meio ambiente e logística de transportes”, observou Zeca.
Edmir Conceição
08/11/2002




