01/11/2002 10h13 – Atualizado em 01/11/2002 10h13
Brasília – A primeira plantação experimental de algodão colorido do Distrito Federal começou a brotar. As sementes foram plantadas no início do ano e agora os capulhos (cápsulas de onde sai à fibra do algodão) começaram a se abrir. O algodão nas cores verde e marrom, pode ser visto na Vitrine de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, das 9 às 17 horas, até o mês de dezembro.
O agrônomo e coordenador da Vitrine de Tecnologia, Edson Raimundo Alves, comentou que o algodão colorido já é produzido na Paraíba e no Rio Grande do Norte e exportado para toda a Europa. Segundo ele, a vantagem para os produtores é que as fibras coloridas possuem alto nível de resistência à seca. “Além de ser uma ótima opção para as pessoas alérgicas a corantes, já que o algodão colorido não precisa de tintura”, completou.
O coordenador explicou que o sistema de produção de algodão colorido foi desenvolvido sem uso de produtos químicos industrializados. “As primeiras plantas primitivas de algodão já produziam algumas fibras coloridas. Mas como elas apareciam em pequenas quantidades, as indústrias preferiam desenvolver o algodão tradicional”, disse.
Sementes dos algodoeiros arbóreos nativos do semi-árido nordestino foram selecionadas ao longo dos oito anos de estudo da Embrapa e guardadas em Bancos Germoplasmas da empresa, locais onde as sementes são conservadas. Em seguida, pesquisadores cruzaram as sementes e por meio de melhoramento genético obteve-se as fibras coloridas. A Embrapa investiu aproximadamente R$ 10 milhões na pesquisa do algodão.
A novidade, de acordo com Alves, está resgatando a produção de algodão nas terras do semi-árido, onde a cultura tinha praticamente desaparecido por causa dos altos custos de manutenção das lavouras, da baixa produtividade das plantações e da dificuldade de competir com o algodão produzido em outras regiões. “A nova cultivar tem ciclo produtivo de três anos, apresenta produtividade 64% superior às outras cultivares de algodão e seu rendimento pode chegar a 1.700 kg por hectares”, frisou.
Além do algodão colorido, os visitantes poderão conhecer outras tecnologias de sucesso na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, como o girassol colorido, o amaranto, a quinoa, os sistemas agroflorestais, novas variedades de hortaliças e grãos, além de animais domésticos ameaçados de extinção e que fazem parte hoje do Banco de Germoplasma Animal da Empresa.
Fonte: Agência Brasil




