30/10/2002 16h48 – Atualizado em 30/10/2002 16h48
O ministro da Saúde da Rússia, Yuri Chevtchenko, negou que a substância utilizada no na operação de resgate de reféns é prejudicial à saúde, apesar de ter admitido que é um derivado de opiáceo.
“Não foi utilizada nenhuma substância química proibida pelas convenções internacionais”, disse o ministro, referindo-se ao gás lançado pelas tropas russas para a libertação de cerca de 800 reféns no sábado (26). Eles eram mantidos sob ameaça de morte por um comando tchetcheno em um teatro de Moscou desde quarta-feira (23).
Segundo a agência Itar-Tass, este gás é um anestésico empregado na medicina que não causa morte em condições normais de utilização.
As autoridades russas se recusavam a especificar a natureza da substância que vitimou 117 dos 119 reféns mortos quando inalaram o gás lançado pelas forças especiais no teatro. O objetivo era fazer com que os 50 integrantes do comando tchetcheno ficasse desacordado e não detonasse os explosivos que levavam no corpo durante o resgate.
“Para neutralizar os terroristas foi utilizado um derivado de Fentanyl. Meus colegas suíços e alemães chegaram às mesmas conclusões, porque são verdadeiros profissionais”, declarou o ministro, depois que Moscou guardou silêncio por cinco dias sobre a natureza do gás utilizado.
Segundo ele, o estado de saúde dos reféns estava debilitado devido à falta de água, comida, alimento, oxigênio e devido à imobilidade.
“Estes são os fatores que causaram a morte de uma parte dos reféns”, afirmou Chevchenko.
Meios especiais
O ministro desmentiu as acusações da imprensa, segundo as quais os serviços de resgate e os médicos não esperavam intervir imediatamente após o ataque e ignoravam a utilização de “meios especiais”.
A expressão “meios especiais” foi utilizada pelas autoridades russas para designar o gás introduzido no teatro.
“Os especialistas foram prevenidos, inclusive eu, apesar de que a operação [de libertação] tinha caráter de urgência”, afirmou.
O ministro disse ainda que os médicos prepararam mais de mil doses de antídoto, que foram utilizadas.
Fontes médicas revelaram na segunda-feira (28) que os reféns receberam no próprio teatro uma injeção de naloxona, um medicamento utilizado, por exemplo, para tratar as consequências das anestesias cirúrgicas.
No entanto, não está demonstrado até agora que as equipes de socorro e os médicos conheciam a natureza exata do gás utilizado.
O embaixador norte-americano Alexander Vershbow afirmou ontem que as vidas poderiam ter sido salvas se a informação tivesse sido fornecida em seguida à operação.
Fonte: France Presse





