29/10/2002 11h12 – Atualizado em 29/10/2002 11h12
MOSCOU – A embaixada dos EUA em Moscou e médicos ocidentais que trabalham na Rússia disseram nesta terça-feira estar certos de que foi identificado o gás usado por forças russas no resgate dos mais de 750 reféns de rebeldes chechenos, semana passada. De acordo com as fontes, a substância utilizada tem o ópio como base e não é um gás que afeta o sistema nervoso – banido por acordos contra armas químicas -, como chegou a se especular.
A substância tem sido apontada como responsável pela morte de 115 reféns. O Kremlin vem se negando a revelar a natureza do gás usado, apesar da pressão de vários países e de médicos russos – que precisam de detalhes da substância para tratar sobreviventes ainda em estado crítico.
BZ descartado – Opiáceos como a substância usada no ataque, afirmaram médicos, agem especificamente sobre receptores da dor e têm a sonolência como efeito adicional. Altas doses do gás podem causar falência do sistema respiratório. Ao menos um especialista ocidental havia sugerido que o gás usado poderia ser o BZ, um gás document.write Chr(39)de nocautedocument.write Chr(39) que leva as vítimas a um estado de alucinação. Outros sugeriram que poderia ser uma fórmula secreta desenvolvida por russos.
- Uma embaixada ocidental em Moscou enviou seus médicos para examinar reféns sobreviventes e concluiu que o agente ao qual foram expostos parece mais com um opiáceo que com um agente nervoso – disse um porta-voz da embaixada americana. – Assim como outras embaixadas ocidentais, pedimos às autoridades russas informação sobre o gás e recebemos alguns dados preliminares sobre os efeitos do agente usado. Mas eles não confirmaram o nome do gás.
Dos 117 reféns que morreram, apenas dois foram vítimas de tiros. As forças russas lançaram o gás no local em uma tentativa de imobilizar os cerca de 50 rebeldes chechenos que estavam no local. Mais de 300 reféns ainda estão internados devido aos efeitos do gás, 16 em estado grave.
Inquérito – Nesta terça-feira, enquanto a Rússia começava a enterrar as vítimas do massacre no teatro, um importante partido político exigiu a abertura de um inquérito para apurar como rebeldes chechenos fortemente armados conseguiram tomar de assalto um teatro lotado, a algumas milhas do Kremlin, sede do governo. A União de Forças Direitistas (SPS) pediu também uma investigação parlamentar sobre a decisão das forças russas de invadir o teatro.
O presidente Vladimir Putin, que não fez qualquer referência à controvérsia do gás em seus pronunciamentos públicos, ordenou na segunda-feira que seus chefes militares revisem suas diretrizes para lidar com o terrorismo, dando a eles novos poderes, e prometeu não negociar com rebeldes chechenos.
Fonte: Reuters




