29/10/2002 14h27 – Atualizado em 29/10/2002 14h27
A cadela Natasha, submetida a uma cirurgia para transplante de rim dia 22, morreu domingo à noite no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Santa Maria (RS). A operação, segundo o veterinário Guilherme Lages Savassi Rocha, foi o primeiro relato dentro da rotina veterinária no país.
Natasha, uma cocker de um ano e oito meses, sofria de insuficiência renal crônica. Os donos da cadela, um casal de namorados de Porto Alegre, procuraram Rocha após uma indicação da veterinária da cocker.
Uma cadela vira-lata foi selecionada como doadora compatível. Ela foi adotada pela dona de Natasha e deve deixar o hospital veterinário nos próximos dias.
Segundo Rocha, que é mestrando em cirurgia experimental, a rejeição ocorre independente do estado de saúde do animal.
Após a cirurgia, o rim de Natasha teve funcionamento, mas houve uma suspeita de rejeição entre quinta e sexta-feira. Doses mais altas de medicamentos foram aplicadas, mas ela não resistiu.
“Foi feita a necropsia e, com relação à cirurgia, estava tudo bem, a não ser o rim que apresentava cortes, sugestivos de rejeição”, disse.
Caso sobrevivesse, Natasha teria que tomar remédios contra a rejeição pelo resto da vida.
Tese de mestrado
Rocha já havia realizado nove cirurgias semelhantes em um projeto que faz parte de sua tese de mestrado. A diferença é que nas operações anteriores foram realizados “autotransplantes”, com órgãos retirados e reimplantados no próprio animal, reduzindo possibilidades de rejeição.
“Transplantes renais em pequenos animais já haviam sido feitos experimentalmente. Não existia relato de transplantes na rotina [veterinária] no país”, afirmou.
Segundo ele, a operação realizada em Natasha pode abrir precedentes para novas cirurgias.
“É essa a idéia, de realizar novas cirurgias”.
Fonte: Folha Online





