25/10/2002 09h45 – Atualizado em 25/10/2002 09h45
WASHINGTON (CNN) – Pesquisadores afirmaram não ter provas suficientes para corroborar que a exposição à vacina antipólio contaminada com um vírus de macaco tenha causado câncer em seres humanos, de acordo com um novo relatório divulgado nsta semana pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos.
Mesmo assim, os cientistas dizem que não podem excluir completamente essa possibilidade. Eles não constataram, porém, nenhum aumento nos índices de câncer em pessoas que receberam a vacina contaminada pelo vírus símio-40 (SV4) entre 1955 e 1963.
Segundo o documento, há fortes indícios de que o SV40 seja um vírus causador de câncer. Entretanto, não está claro se a exposição ao vírus resulta em raros tipos de câncer, como o linfoma de Hodgkin; o mesotelioma, uma forma rara da doença que atinge o mesotélio; o osteosarcoma, um tipo de câncer ósseo mais comum em crianças; e o ependimoma, um raro tumor cerebral.
“Dados biológicos podem ajudar a direcionar as pesquisas, mas não podem provar por si sós a causalidade”, disse Marie McCormick, presidente do Comitê de Revisão de Segurança de Imunização do Instituto. “Devido às incertezas levantadas por todos os estudos, nosso relatório oferece uma estratégia de pesquisa e sugere um processo para lidar com a contaminação de vacinas, caso isso volte a ocorrer”.
Durante a produção das primeiras vacinas contra a poliomielite, as culturas de tecidos usadas para crescer a vacina vieram dos rins de macacos.
Somente em 1960 os pesquisadores descobriram que o tecido podia estar infectado com o SV40, um vírus antes desconhecido que causava infecções em certos macacos.
A maior parte da contaminação foi nas vacinas inativas contra a poliomielite. A vacina está livre do SV40 desde 1963.
Estima-se que de 10 a 30 por cento das vacinas dadas entre 1955 e 1963 estavam contaminadas com o vírus, expondo de 10 milhões a 30 milhões de norte-americanos.
Mas os pesquisadores não têm como saber quem realmente recebeu a vacina contaminada. Como não existe um exame de sangue específico para detectar o SV40, não há como dizer quantas pessoas foram realmente infectadas pelo vírus.
De acordo com o relatório, os estudos que examinaram a potencial ligação entre a vacina e o câncer em seres humanos não mostraram um aumento no risco da doença naqueles que foram vacinados.
Mas estudos também mostram que o DNA do SV40 foi encontrado em alguns tumores humanos.
O relatório pede mais pesquisas e também o desenvolvimento de exames de sangue sensíveis ao SV40, além de técnicas padronizadas que consigam detectar o vírus em pessoas que possam ter sido infectadas.
A primeira vacina contra a pólio foi introduzida em 1955. Por volta de 1994, a doença foi eliminada no Ocidente.
O Instituto de Medicina faz parte da Academia Nacional de Ciências e reúne especialistas com o objetivo de fornecer aconselhamento a respeito de saúde pública ao governo dos Estados Unidos e à população.
Fonte: CNN






