25/10/2002 13h18 – Atualizado em 25/10/2002 13h18
Médicos, advogados e professores paquistaneses exigiram hoje que um médico paquistanês de destaque, preso por suspeita de fornecer antraz a militantes islâmicos, fosse libertado. Segundo as informações disponíveis, a prisão foi feita a mando do FBI (polícia federal dos EUA).
Parentes do doutor Amir Aziz disseram que ele foi preso na cidade de Lahore na segunda-feira (21) por agentes da inteligência paquistanesa e do FBI depois de ser acusado do fornecimento de antraz.
A prisão do médico também serviu para inflamar uma crescente discussão a respeito do papel dos oficiais do FBI no Paquistão. Um pequeno número deles está ajudando as autoridades paquistanesas a caçar fugitivos da Al Qaeda e do Taleban.
O governo paquistanês disse que Aziz estava sendo investigado pelas agências de inteligência paquistanesas, mas que não seria mandado para os Estados Unidos, que detêm centenas de suspeitos da Al Qaeda, incluindo alguns paquistaneses.
“A extradição não está em questão”, disse o brigadeiro Javed Iqbal Cheema, que chefia a Divisão de Crises Nacionais do Ministério do Interior. “O ministro do interior disse claramente que ele não será extraditado, que será interrogado por nossas próprias agências”, acrescentou.
Mesmo assim, cerca de 200 pessoas se juntaram para fazer uma greve de fome simbólica de duas horas para demonstrar seu apoio a Aziz em um acampamento montado pela Associação Médica do Paquistão (AMP) em Lahore, hoje.
Usando faixas pretas nos braços e entoando frases contra o presidente paquistanês Pervez Musharraf e os Estados Unidos, os protestantes avisaram ao governo que Aziz não deve ser entregue aos EUA.
O irmão dele, Imran, disse, no começo da semana, que seu irmão havia visitado o Afeganistão na época do governo do Taleban, mas apenas para ajudar a reconstruir uma faculdade de medicina e dar assistência médica e humanitária.
A presidente da AMP, Yasmeen Rasheed, disse que a prisão de Aziz foi injustificada e pediu sua soltura imediata. “A obrigação de um medico é tratar seus pacientes sem levar em conta raça, cor, credo ou nacionalidade”, ela disse à multidão reunida perto do prédio da assembléia regional de Punjab.
Rasheed disse que ela mesma havia montado um acampamento médico na cidade afegã de Jalalabad durante os bombardeios americanos ao Afeganistão, seguindo instruções do governo paquistanês. “Se o dr. (Aziz) estava cuidando de afegãos, ele tinha permissão do governo paquistanês”, disse.
Em Islamabad, cerca de 80 médicos, engenheiros, advogados e professores fizeram uma manifestação pacífica na rua principal da área comercial da cidade. Segurando cartazes, os manifestantes fizeram filas, depois das preces de sexta-feira, para pedir a soltura de Aziz.
“FBI, saia do Paquistão”, dizia um cartaz carregado por um médico do Instituto de Ciências Médicas do Paquistão. “Paquistaneses se sentem inseguros no Paquistão”, dizia outro cartaz.
Fonte: Reuters





