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sábado, 18 de abril de 2026

Suplemento dietético poderia reduzir progressão do mal de Parkinson

21/10/2002 15h40 – Atualizado em 21/10/2002 15h40

CHICAGO, EUA – Um suplemento que pode ser adquirido sem receita nas farmácias mostrou-se promissor na redução dos sintomas do mal de Parkinson, segundo um estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia, em San Diego, e publicado na edição de outubro da revista Archives of Neurology.

Os tratamentos existentes podem atenuar os sintomas do distúrbio cerebral degenerativo, mas até onde se sabe não afetam o processo da doença.

O novo estudo encontrou provas de que um composto natural, a coenzima Q-10 (ou COQ10), pode ajudar a interromper a morte dos neurônios, característica do mal de Parkinson.

“Isso é realmente uma espécie de Santo Graal do que estamos tentando fazer no mal de Parkinson”, disse o Dr. Tim Greenamyre, cientista que pesquisa a doença na Universidade de Emory e que não participou do estudo. “Eles estão na pista certa”.

O estudo envolveu apenas 80 pessoas. Metade delas comeu wafers com maple que continham várias doses de Q-10. A outra metade recebeu placebos por 16 meses.

Ao fim do estudo, os 23 pacientes que receberam doses mais altas apresentaram um declínio 44 por cento menor da função mental, e maior capacidade de se movimentar e executar tarefas rotineiras do que o grupo que recebeu placebo.

O Dr. Clifford Shults, principal autor do estudo, e seus colegas alertaram que isso não é prova suficiente para recomendar o uso do suplemento aos pacientes de Parkinson.

A coenzima Q-10 é vendida como antioxidante, com o propósito de melhorar a função cardíaca.

Mas as descobertas são “tremendamente encorajadoras”, disse o Dr. Shults. “Nós realmente precisamos fazer um estudo definitivo para confirmar as descobertas”, afirmou.

O mal de Parkinson é um distúrbio progressivo que afeta cerca de 500 mil norte-americanos e resulta da degeneração das células nervosas que produzem um neurotransmissor chamado dopamina, necessário para o controle da atividade muscular.

Os sintomas incluem tremores, rigidez e andar arrastado. O tratamento padrão inclui a droga levodopa, que se transforma em dopamina no cérebro.

A pesquisa sugeriu que as estruturas que fornecem energia dentro das células – chamadas mitocôndrias – podem ser desativadas com a doença.

A coenzima Q-10, um composto produzido pelo organismo, é considerada capaz de ajudar na função da mitocôndria. Pesquisas anteriores feitas por Shults e outros cientistas descobriram que os níveis de Q-10 foram reduzidos nos portadores de Parkinson.

Eles teorizam que os suplementos podem ajudar a preservar a função dos neurônios.

Os pacientes estudados encontravam-se no estágio inicial da doença e receberam placebo ou doses de 300, 600 ou 1.200 mg de Q-10 diariamente.

Seus sintomas foram avaliados por até 16 meses. Por volta do oitavo mês, os 23 pacientes que receberam a dose mais alta mostraram-se significativamente menos prejudicados do que os outros.

O Dr. Shults disse que, se a coenzima simplesmente aliviasse os sintomas da doença, a diferença provavelmente teria aparecido mais cedo, o que não foi o caso.

Os efeitos colaterais, incluindo dores de cabeça, nas costas e tonteira, foram suaves, em sua maioria.

Os resultados indicam que deve ser feita uma pesquisa de acompanhamento, talvez até com doses maiores da coenzima e mais “agressivamente”, segundo o Dr. Bernard Ravina, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, que custeou o estudo.

Associated Press

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