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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Genoma do mosquito da malária é totalmente decifrado

02/10/2002 14h18 – Atualizado em 02/10/2002 14h18

Um consórcio internacional de pesquisadores acaba de decifrar o genoma do mosquito responsável pela transmissão da malária, dando assim um impulso à pesquisa sobre a doença, contra a qual ainda não existe vacina.

Os resultados completos das pesquisas feitas com o mosquito serão publicados simultaneamente nas revistas “Science” e “Nature”.

A malária é causada por um protozoário parasita do sangue, o Plasmodium falciparum, transmitido exclusivamente pela fêmea do mosquito anófeles.

Com o genoma totalmente decifrado, os cientistas terão uma massa de informações sobre os três agentes da doença: o homem, o protozoário e os anófeles. Esse trabalho soma-se aos progressos obtidos no processo de decifração do genoma humano.

“Trata-se de uma situação única”, destacaram as equipes francesas envolvidas.

Há apenas três anos, os bancos de dados continham menos de dez genes completos dos anófeles. Atualmente, os pesquisadores dispõem de um banco de dados de cerca de 14 mil genes.

Desta forma, os pesquisadores sabem que certos genes têm um papel na transmissão do parasita, outros na resistência do mosquito aos insecticidas, outros em suas capacidades olfativas, o que poderia permitir entender por que determinadas pessoas os atraem.

Por último, outros genes explicarão suas capacidades para se protegerem dos ataques químicos contra os mosquitos há décadas.

O estudo desses genes vai permitir atingir um controle real da transmissão da malária, mediante principalmente uma utilização mais racional dos inseticidas, e a elaboração de novos repelentes.

Considerada por anos o “primeiro assassino” do planeta, mas recentemente derrotada pela Aids, a malária ameaça 2 bilhões de pessoas, afeta entre 300 milhões e 500 milhões e mata a cada ano entre 1,5 e 2,7 milhões de pessoas, ou seja. Nove de cada dez mortes são registradas na África.

“Nesse contexto, o controle da transmissão do parasita pelo mosquito para uma melhor compreensão da biologia do inseto se impõe como um meio de luta promissor”, afirmou o Instituto Pasteur.

O mosquito não é só uma “seringa voadora” –ele também hospeda o parasita por cerca de metade de sua vida, e a representação substancial do genoma do inseto contribuirá para a compreensão das interações entre eles, explicou Paul Brey, chefe da unidade de Bioquímica e Biologia Molecular dos insetos do Instituto Pasteur.

A resistência da doença aos medicamentos e aos inseticidas tornou-se um grave motivo de preocupação nos países da endemia, assim como nos países ocidentais, já que os cidadãos desses últimos geralmente passam as férias nos locais afetados.

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