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quarta-feira, 18 de março de 2026

Quem canta no quintal do vizinho, canta de galo

05/01/2011 09h02 – Atualizado em 05/01/2011 09h02

Morda a gola da camiseta ou se preferir roa as unhas

Emerson Augusto Fonseca

Você já ouviu falar que santo de casa não faz milagre? Pois é caro amigo, tenho certeza de que muitas vezes você candidatou-se a um emprego, ou talvez foi pedir fiado na venda do bairro e recebeu um ilustre “não”. Difícil mesmo é tentar compreender o real motivo que levou a esse desfecho doloroso em um momento em que você talvez necessitasse mais do que nunca de um “sim”.

Quem canta no quintal do vizinho canta de galo. Por mera coincidência, em uma bela manhã, dentes sem escovar, chega na venda e vê um morador novo na vizinhança sendo tratado como rei. O dono do estabelecimento, só falta dar-lhe de graça o que o tal estranho quer comprar e diz que ele pode pagar quando puder.

Calma, fica na sua. Morda a gola da camiseta ou se preferir roa as unhas…”engula o choro”. Isso não acontece somente com você, e ninguém têm uma estrela na testa. Eu, você, nós todos também já cantamos de galo. Lembra-se daquele churrasco onde nem convidado você foi e de repente, foi a atração número um, até convidaram-te para padrinho dos gêmeos que estavam por nascer?

Quer um conselho? Antes de pedir algo a alguém, antes de candidatar-se a um emprego, pense que você não é o único que está precisando, e que seu problema não seja o único a ser resolvido. Menos frustrante.

Mude de rua. Mude de cidade. Mude de país.

Sabe aquela casa que está fechada na rua de baixo? Então! Nem precisará pagar um frete. Compre uma caixinha de cerveja, convide os amigos e faça a mudança em um carrinho de mão. Além de chamar atenção da vizinhança, todos vão acreditar que você está mudando de vida, que arrumou um novo emprego.

A tática foi em vão? Eu sabia, queria mesmo era consolar-te.

Pense no norte do país, se você vender todos os seus móveis, mesmo que a preço de pechincha, com o dinheiro poderá comprar meia quadra de terra lá na divisa com a Bolívia.

Com sotaque do sul, jeito importado de paulista, vai ser a sensação.

Não sabe trabalhar na roça? Aí se ferrou de vez.

É o fim.

Ou vai ter que virar muambeiro, que agora já é coisa de micro-empresário, ou vender a pouca dignidade que lhe resta, comprar uma passagem para outro país, viver na clandestinidade e se tiver um pouco de sorte “cantar de galo no quintal do vizinho”.

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