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quarta-feira, 18 de março de 2026

No ar, distante da população

19/01/2011 15h45 – Atualizado em 19/01/2011 15h45

O passageiro aéreo é hoje um rejeitado, um ignorado pela maioria das companhias aéreas que atuam em nosso país

Petrônio Souza Gonçalves

As empresas aéreas fazem com os passageiros no Brasil o que as empresas de
ônibus não são capazes de fazer. É uma grande certeza na falta de impunidade
que estimula, anos e anos, essa relação unilateral e desrespeitosa em nosso
país hoje. Aos passageiros, todas as taxas e punições possíveis. Às
companhias aéreas, toda benevolência e complacências dos brasileiros e dos
órgãos reguladores.

Despidos do sentimento da mais primária cidadania, não somos capazes de
estabelecer, sequer, uma relação profissional com as companhias aéreas. E
olha que elas transportam todas as autoridades brasileiras, do mais baixo ao
mais destacado escalão, fazendo uma multidão de insatisfeitos em todos os
cantos do país. Com o desmantelamento contumaz das empresas de excelência no
setor aéreo brasileiro, perdeu-se a referência da qualidade dos serviços
prestados e o trato com o passageiro. Tudo isso, tendo o silêncio cúmplice
das autoridades nacionais.

A expansão do mercado aeroviário não foi ascendente, mas descendente,
revelando uma visão destorcida e equivocada na administração de um novo
nicho que se amealhava. As novas companhias aéreas definiram como estratégia
de mercado retirar o passageiro dos balcões das companhias de ônibus e
levá-los para os check in dos aeroportos, sem nunca prestarem a mesma
qualidade de serviços e atendimento.

Com a facilidade do acesso ao crédito e a popularização do uso da internet,
abriu-se vendas de passagens de todas as formas e todos os gostos, sem nunca
pensar na urgência do usuário que, afinal, é a razão de todo esse processo.
A concorrência se estabeleceu de forma desleal em um primeiro momento,
prometendo vantagens, descontos, conforto, status, sem considerar o
passageiro e sua satisfação. Tudo culminou em um processo que se arrasta até
hoje, evidenciando sua fragilidade e ingerência, não suportando ao mais
anunciado e tradicional feriado. O passageiro aéreo é hoje um rejeitado, um
ignorado pela maioria das companhias aéreas que atuam em nosso país.

O que era o presságio de festas e comemorações – as viagens de férias e
excursões de fim de ano – se revelaram, nos últimos dias, uma profunda
decepção, com uma grande horda de passageiros sem vôo, esquecidos e
humilhados nos saguões dos aeroportos brasileiros, sem ter uma resposta
precisa sequer de quando poderiam seguir viagem. A insegurança tomou conta
de quem está com passagem comprada e viagem marcada no Brasil. E essa
constatação se faz em todos os estados, de ponta a ponta em nosso país.

No ar e distante da população, não podemos deixar que um mercado tão amplo,
promissor, estratégico e vasto fique nas mãos das empresas
descompromissadas, que já se revelaram incapazes de cumprir com as ofertas
marcadas com muita antecedência. É preciso que o governo federal interceda e
fiscalize diretamente a atuação e expansão das companhias aéreas
brasileiras. Só assim poderemos assegurar ao cidadão brasileiro o
cumprimento dos serviços básicos oferecidos, e que as viagens das férias
sejam fruto de um direito conquistado.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritorwww.petroniogoncalves.blogspot.com

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