12/02/2011 08h14 – Atualizado em 12/02/2011 08h14
“Homens como o ex-presidente do Egito, esquecem que em um mundo globalizado, cheio de idéias inovadoras, governar de forma arbitrária é como programar uma bomba que um dia explodirá…”
Emerson Augusto Fonseca
A renuncia do presidente do Egito Hosni Mubarak deixa a todos uma grande lição, tanto para o mundo árabe, quanto para o Ocidente. “Não há mais tronos para ditadores, e o poder que está nas mãos de homens nada vale diante de uma multidão que clama por liberdade e democracia”.
Após dezoito dias de protestos, mais de 300 mortes, cinco mil feridos, prisões de jornalistas estrangeiros inclusive brasileiros, a multidão na Praça Tahrir, na capital Cairo, comemorou a queda daquele que parecia intocável, e que almejava passar seu “trono” ao seu filho, o que daria continuidade a “dinastia” Mubarak.
Protestos não somente no Egito, mas também em vários países inclusive árabes, derrubou mais um mito que a custa do abuso de seu poder, tentou de várias formas manter-se intocável, mas Mubarak esqueceu-se que não há “reinado” absoluto e inatingível.
Homens como o ex-presidente do Egito, esquecem que em um mundo globalizado, cheio de idéias inovadoras, governar de forma arbitrária é como programar uma bomba que um dia explodirá, mesmo que demore sua força será devastadora, e que a vontade de um povo oprimido que tem coragem de gritar diante de câmeras que graças à tecnologia hoje existente são vista e acompanhadas por todo planeta, mobilizará chefes de estados e organizações políticas que com certeza diante da aclamação popular não ficará contra a “vontade do povo”, pois eles também não querem ficar na berlinda.
A forma de transição de poder “faraônica”, que perdurou por décadas no Egito, mesmo camuflada também existe em países como o nosso onde a corrupção, uso da máquina administrativa, compras de votos, distribuição de “cestas básicas” e promessas infundadas fazem com que muitos ainda, infelizmente cegos pelo apelo de um “favor político”, acabe escolhendo como governantes, de forma não tão democrática velhas raposas que usufruirão do poder que lhes confere por lei para maquinar contra os que “seus”.
Em breve a jovem democracia brasileira, vai amadurecer, e nesse “dia” “Mubaraks” verdes e amarelos, não terão mais espaço, e a corja que os acompanham também irão perder o escudo protetor e pagarão de forma humilhante por ter roubado de um povo que a cada eleição esperançosos depositam “fé” nos que dizem “amigos e amigas”, e só então poderemos perguntar em voz alta…”deus também é brasileiro?”…



