17/08/2012 07h15 – Atualizado em 17/08/2012 07h15
O papel do Patrimônio Histórico na preservação da memória e da Identidade
Rodrigo Pedroso Fernandes*
Dentre os dias que temos no vasto calendário comemorativo anual, sem dúvida podemos mencionar o dia 17 de agosto como um dos mais emblemáticos. Data bem escolhida e bem merecida para homenagear essa estreita linha que nos une às nossas origens e que nos integram tão perfeitamente ao nosso tempo.
Foi no dia 17 de agosto de 1898 que nasceu Rodrigo Franco Mello de Andrade, um notável intelectual que nos anos 30, lutou para o surgimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o primeiro órgão Federal instaurado para preservação do legado histórico e cultural brasileiro, atual IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Uma atitude de vanguarda para uma época em que o país buscava, desde o movimento de 1922, a todo custo, (re)descobrir sua identidade.
MEMÓRIAE PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Muito além das dissertações de historiadores de gabinete e de políticos tradicionalistas, esse tão distante e desconhecido “Patrimônio Histórico” é tão inerente a nós próprios e sequer o percebemos. Ouvimos nas rádios, vemos nos jornais e televisão e até o visitamos em viagens de férias ou em passeios domésticos casuais.
Certa vez tive a oportunidade de presenciar um interessante diálogo entre dois transeuntes que, dispensando algum tempo e palavras contemplavam uma estação de trem desativada há décadas, mas que a magnificência de sua arquitetura e a obscuridade de seu passado os atraía curiosamente. Surgiram então questionamentos e afirmativas sobre origem, política, vivências de parentes próximos que trabalharam e frequentaram o local, lembranças e vivências pessoais, cotidiano e, nesta jornada de memórias, suas vidas se desdobravam em um caminho onde o passado intersectava o presente.
AFINAL, O QUE É PATRIMÔNIO HISTÓRICO? PARA QUE SERVE?
O que nos remete ao pretérito próximo ou longínquo é a nossa constante necessidade de nos situar e nos reconhecer como indivíduos pertencentes à, um grupo, uma região, uma cidade, um país, etc. Documentos, fotografias, objetos pessoais, um poema, um quadro, uma canção, um hábito, uma indumentária e também, mas não somente, a beleza estética de um prédio ou monumento, formam nossa visão de mundo, nossos valores, nossas morais, a forma como pensamos, o que nós somos como indivíduo e como coletividade. Isso é a nossa “identidade”, o que nos diferencia dos “outros”. Um determinado poeta escreveu que somos feitos dos ossos de nossos ancestrais.
Patrimônio histórico então é toda a manifestação que nos conta e serve para não nos deixar esquecer quem somos, de onde viemos e o que estamos fazendo aqui neste exato momento. Como poderíamos pensar o Rio de Janeiro sem o Cristo Redentor ou sem o carnaval o e samba? Minas Gerais sem a cidade de Ouro Preto? Os sul-mato-grossenses sem o tereré? Ou Três Lagoas sem as três lagoas?
O QUE PRESERVAR?
Atualmente classificamos o Patrimônio Histórico em material: tudo o que é sólido e palpável, como uma casa, uma praça, um livro, um piano etc. e imaterial: tudo o que é impalpável, como uma dança, uma tradição, uma música uma religião, uma culinária etc. também conhecido como Patrimônio Cultural.
Imagine se tivéssemos que preservar todas as casas e prédios existentes construídos através dos tempos. Seria impossível e não teríamos mais espaço no planeta terra. Nem sempre uma casa antiga de idade é obrigatoriamente preservada e nem sempre uma casa centenária é mais importante do que uma casa construída há uma década. Temos que nos prover de critérios conhecimentos específicos para avaliar o que realmente merece ser preservado e muitas vezes não é nada fácil. Podemos preservar um prédio pela sua importância na transformação histórica pela qual a cidade, Estado ou país passaram, seja de ordem política ou cultural, pela sua beleza estética e sua representação arquitetônica de determinado período histórico. Podemos preservar uma obra literária por ela ser importante na formação do pensamento coletivo de um país.
- Rodrigo Pedroso Fernandes é historiador e Coordenador de Patrimônio Histórico em Três Lagoas



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