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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Três Lagoas reduz infestação do Aedes aegypti para 0,4%, mas ainda é segundo lugar número de casos de dengue no Estado

13/07/2018 16h08

Cidade só fica atrás de Costa Rica em números relativos e da Capital em números absolutos; índice de infestação do Aedes aegypti caiu de quase 4% para 0,4%, mostrando que campanhas de combate ao mosquito estão funcionando

Gisele Berto

De acordo com boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde Três Lagoas continua ocupando o segundo lugar do Estado em números de casos notificados de dengue: fica atrás de Costa Rica em números relativos, com 572 casos para cada 100.000 habitantes, e atrás de Campo Grande em números absolutos, com 628 notificações.

No entanto, de acordo com os últimos resultados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRA), Três Lagoas possui 0,4% de infestação de vetores.

Isso significa que a cidade está conseguindo se recuperar que uma quase epidemia. Três Lagoas recentemente conviveu com índices entre 1% e 3,9% de infestação (condição de alerta) e chegou a alcançar índices acima de 4%, o que colocou a população em risco de enfrentar um surto da doença.

Pelos resultados do último LIRA, que é feito por amostragem de domicílios visitados pelas equipes de Agentes de Endemias, Três Lagoas ainda possui elevados índices de infestação do Aedes aegypti em propriedades domiciliares nas regiões localizadas nos bairros de Interlagos, Vila Nova, JK e Alto da Boa Vista.

Por outro lado, como foi divulgado pelo Setor de Vigilância Epidemiológica e pelo Setor de Endemias, da Diretoria de Vigilância em Saúde e Saneamento, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Três Lagoas, o número de casos de dengue, de janeiro até terça-feira, 10 de julho, continua subindo.

Como informou o supervisor geral do Setor de Endemias, Waldecir Marangon, que substitui temporariamente o coordenador Alcides Divino Ferreira, em férias, o número acumulado é de 628 casos notificados de dengue, no município de Três Lagoas. Desse total, 117 foram confirmados (positivos), 384 casos já descartados e 127 dos casos ainda aguardam resultados de exames laboratoriais.

Na oportunidade, Marangon também informou que, no mesmo período, Três Lagoas registrou 78 notificações de leishmaniose, sendo 77 casos posteriormente descartados pelos resultados de exames laboratoriais e um paciente veio a óbito, em abril, em decorrência de agravo da doença.

MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO

As equipes da SMS de Três Lagoas têm intensificado as medidas de enfrentamento aos vetores da dengue e da leishmaniose, como ressaltou a bióloga Geórgia Medeiros de Castro Andrade.

“Os índices de infestação só aumentam quando existem condições favoráveis à criação de larvas, o que acontecem em águas paradas”, explicou a diretora de vigilância em Saúde e Saneamento.

Por isso, todas as ações que têm a finalidade de conscientizar as pessoas a manterem seus quintais e residências sempre limpos, têm contribuído para a redução dos índices de infestação dos vetores de doenças.

Causador de doenças graves como dengue, zika vírus e chikungunya, o Aedes aegypti é capaz de provocar grandes estragos porque a fêmea do mosquito, que se alimenta de sangue e, por isso, é a transmissora, pode infectar até 300 pessoas em apenas 45 dias.

No início, acreditava-se que apenas água limpa era capaz de servir o mosquito, mas hoje sabe-se que mesmo ocorre em água suja. Além disso, o ovo do Aedes pode sobreviver até 450 dias sem água. Por isso, apenas eliminar a umidade não basta, é preciso ainda limpar bem os recipientes.

“Nossas equipes de Promoção da Saúde, por meio de palestras e também de visitas às residências procuram insistir sempre nas mesmas informações, que se resumem em um só objetivo, que é, eliminar os criadouros”, explicou o coordenador do Setor de Promoção da Saúde, Waldir José de Souza.

MEU BAIRRO LIMPO

Ele deu como exemplo a campanha “Meu Bairro Limpo”, que retira centenas de caminhões de materiais inservíveis, entre eles, materiais propícios ao armazenamento de água e que podem tornar-se focos criadouros de mosquitos.

Segundo avaliação do coordenador do Setor de Promoção da Saúde, “nos bairros por onde já passou a campanha “Meu Bairro Limpo”, notamos considerável queda nos índices de infestação de criadouros”, comentou Waldir.

“Só com a participação de toda a comunidade, todos unidos e cada um fazendo a sua parte, cuidando do seu quintal e da sua casa, conseguiremos conter o avanço dos casos de dengue e de leishmaniose”, orientou Waldir.

Como lembrou Geórgia, é por isso que, em todas as ações, realizadas em regime de mutirão e que envolvem vários setores da Prefeitura de Três Lagoas, “as equipes da SMS, notadamente as equipes dos setores de Vigilância em Saúde e Saneamento, sempre se fazem presentes na maioria dos eventos”.

“Além do trabalho de busca, retirada e eliminação dos criadouros e ações de bloqueio químico com borrifação, nossas equipes de Agentes de Endemias, nas visitas que fazem às residências, procuram sempre orientar as pessoas sobre o que precisa ser feito para evitar a dengue e outras doenças”, explicou Waldir.

“Estamos também intensificando palestras nas escolas, indústrias, entidades e igrejas, quando convidados e quando tomamos conhecimento do surgimento de casos confirmados de dengue ou leishmaniose naquela área específica”, comentou o coordenador de Promoção da Saúde.

Causador de doenças graves como dengue, zika vírus e chikungunya, o Aedes aegypti é capaz de infectar até 300 pessoas em apenas 45 dias. Foto: Thinkstock

Na semana passada, a Fibria doou três motocicletas para uso das Agentes de Endemias, logo que forem devidamente documentadas e emplacadas, na vistoria das 305 armadilhas, as denominadas “mosquitrap”, distribuídas a cada 300 metros e monitoradas através de um sistema via satélite.

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