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sábado, 9 de maio de 2026

Copa sem gols amarga a pior média da história, com apenas 1,56 por jogo

16/06/2010 15h05 – Atualizado em 16/06/2010 15h05

Crucificada como vilã às vésperas da Copa, a arisca Jabulani parecia destinada a deixar os goleiros na saudade e virar frequentadora assídua do fundo das redes nos estádios da África do Sul. Até agora, no entanto, ela quase não esteve por lá. Ao fim da primeira rodada, a média de gols deste Mundial – 1,56 – é simplesmente a pior de todos os tempos.

 

E nem adianta colocar a culpa na tensão da estreia. Levando em conta apenas a primeira rodada de Copas anteriores, a de 2010 não consegue sequer incomodar as rivais: a segunda média mais baixa na história é de 2,0, nos Mundiais de 1962, 1974 e 1986. As maiores são as de 1934, com 5,14, e 1938, com 5,0. A Copa de 1990, na Itália, que amarga a pior média de gols no geral (2,21), marcou 2,25 em sua rodada de abertura.

 

Nas 16 partidas disputadas até agora na África do Sul, a Jabulani foi morrer na rede apenas 25 vezes. E a Alemanha foi a única seleção a fazer mais de dois gols, no convincente 4 a 0 sobre a Austrália. Há explicação para tanta seca?

 

  • O que eu vejo como motivo principal é o baixo nível técnico das seleções. Com exceção da Alemanha, que goleou, e da Argentina, que teve bons momentos, as demais equipes me decepcionaram. Não tivemos nenhum grande jogo até agora – analisa o ex-jogador Caio Ribeiro, comentarista da TV Globo.

 

A Alemanha, por sinal, manteve a tradição de colaborar para subir a média de gols na estreia. A seleção europeia fez 4 a 3 na Costa Rica em 2006, jogando em casa, e carimbou um inapelável 8 a 0 sobre a Arábia Saudita em 2002. Na última Copa, que teve média de 2,44 gols na rodada de abertura, outras quatro equipes além da Alemanha conseguiram passar de três gols na estreia: México (3 a 1 no Irã), Austrália (3 a 1 no Japão), República Tcheca (3 a 0 nos EUA) e Espanha (4 a 0 na Ucrânia).

 

A África do Sul, por enquanto, assiste a um festival de vitórias pelo placar mínimo – foram seis 1 a 0 até agora, além de quatro empates em 1 a 1. Uruguai, França, Portugal e Costa do Marfim viram seus jogos ficando no 0 a 0.

 

André Rocha, autor do blog “Olho Tático”, acha que os treinadores também têm culpa no cartório.

 

  • A filosofia deles é cada vez mais focada no resultado. Os times preferem não arriscar e avançar com toques de lado até levantar a bola na área ou chegar ao jogador mais talentoso para que ele resolva. E defensivamente a busca é pelo encaixe da marcação, para minimizar as chances de falha. O lema é: risco zero, acerto máximo, ainda que sem criatividade e coragem – opina André, que cita ainda a tensão da estreia, o cansaço e o fato de as seleções terem cada vez mais informações sobre os adversários.

 

A média minguada de 2010 tem ainda um agravante: as Copas só passaram a ter 32 seleções em 1998. Antes disso, com 24 ou 16, havia menos times de nível baixo, o que teoricamente dificultava os placares elásticos.

 

Goleadas na estreia, contudo, nunca foram recorrentes. De 1970 para cá, a média na primeira rodada é de apenas uma vitória com mais de quatro gols marcados. Algumas se destacam, como o já citado 8 a 0 da Alemanha e o 10 a 1 da Hungria sobre El Salvador em 1982.

 

O Brasil, único país que disputou todos os 19 Mundiais, só passou em branco na estreia uma vez, em 1974, no 0 a 0 com a Iugoslávia. O maior festival de gols foi na abertura em 1938, com 6 a 5 sobre a Polônia. A média verde-amarela para abrir a Copa é de 2.2 gols.

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