16/02/2009 08h17 – Atualizado em 16/02/2009 08h17
Waldir Guerra *
A discussão em torno dos altos juros cobrados pelos bancos brasileiros – os maiores do mundo, coisa confirmada – volta a ser lembrada agora com mais intensidade por conta da crise, mas no fundo, a causa maior dessa crise toda se deve ao poder que os banqueiros do mundo inteiro sempre tiveram.
O presidente Barack Obama conseguiu aprovar no Congresso Americano um pacote de 787 bilhões de dólares em investimentos públicos para aliviar a crise que os bancos criaram, mas essa dinheirama toda terá que passar obrigatoriamente pelas mãos dos banqueiros quer ele queira, ou não.
Aqui no Brasil, do presidente Lula até o verdureiro da esquina, todos gritam pela redução da Selic (taxa que estipula os juros dos títulos do Tesouro, hoje 12,75), mas os banqueiros do Banco Central capitaneados por Henrique Meirelles fazem ouvidos de mercador aos apelos. O discurso do vice-presidente, José de Alencar, então, faz seis anos tem uma nota só: baixar os juros; mas de nada adianta ele ficar pedindo, o BC se faz de surdo.
O Banco Central, ainda vá lá, com sua teimosa Selic de 12,75, mas quem consegue explicar a um europeu curioso o “spread” escandaloso que os bancos particulares brasileiros cobram? Explico melhor. Spread é a diferença que os bancos colocam em cima do custo do dinheiro para emprestar aos que precisam de empréstimos. No Brasil esse custo está na casa de 15 a 18% ao ano para os bancos. Mas eles só emprestam com juros mínimos de 40% ao ano. E quem usar o cheque especial vai pagar 100% ao ano – e olhe que são milhões de brasileiros que usam o limite do cheque especial.
Para justificar os juros escandalosos – uma verdadeira espoliação – os banqueiros alegam que o “spread” é alto por conta da inadimplência. Essa alegação soa falsa quando se vê o extraordinário lucro que ano após ano, os balanços dos bancos acusam com seus lucros espetaculares.
Nos balanços do final de 2008 todos os bancos brasileiros, inclusive os oficiais, esconderam grande parte dos seus lucros criando um fundo de reserva para cobrir perdas com a inadimplência. Assim baixaram um pouco o montante dos lucros no exercício passado. Claro, seria uma afronta ao público em geral mostrar tantos ganhos quando a crise vem comendo solta nos demais setores.
No início da crise o governo diminuiu a obrigatoriedade de os bancos recolherem parte dos depósitos bancários ao Banco Central, o tal do depósito compulsório. O governo fez isso para que os bancos emprestassem mais. Os banqueiros, pelo contrário, até diminuíram seus empréstimos. O que fizeram mesmo foi comprar títulos do próprio Governo a 12,75%, coisa pouca, mas bem garantida.
O que o povo não consegue entender é por que a Selic não é menor se quem a determina é o Banco Central (BC) e todos os diretores, inclusive o seu presidente, Henrique Meirelles, são indicados pelo presidente da República?
Por que os bancos particulares – e os oficiais também – não atendem os apelos do presidente Lula para baixar seus juros se seu funcionamento depende de uma concessão do BC e o Banco Central é comandado pelo presidente da República?
Mas se o próprio Presidente da República não é obedecido, afinal, quem manda nos banqueiros aqui no Brasil?
- Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

