27.2 C
Três Lagoas
quarta-feira, 18 de março de 2026

Como entender coisas assim?

01/02/2009 16h10 – Atualizado em 01/02/2009 16h10

Waldir Guerra *

Quantas vezes nos deparamos com coisas, ou mesmo acontecimentos, que pelo inusitado, ou até pela inconveniência do fato, nos deixam embasbacados, ou mesmo chocados e deixamos de mostrar nossa desaprovação pública, coisa que deveríamos fazer como cidadãos.

Digo isso porque não entendi a atitude do presidente Lula se fazendo presente no Fórum Social Mundial realizado nesta semana passada em Belém do Pará e ter deixado de comparecer ao Fórum Mundial em Davos na Suíça.

Por que se fazer presente num evento ideológico – e utópico, claro – e perder a oportunidade de encarar os “donos” do dinheiro mundial? Sim, lá em Davos estavam todos os grandes banqueiros mundiais, se não pessoalmente, mas seus legítimos representantes.

Em Davos Lula poderia dizer aos banqueiros que os bancos brasileiros tem ótima saúde financeira e continuam mais fortes do que nunca. Poderia se vangloriar que “nunca antes na história deste país” os bancos tiveram tantos lucros – e não estaria mentindo. Poderia se vangloriar com o fato de a crise aqui ser apenas uma “marolinha” perto dos efeitos que vem provocando no mundo inteiro, tudo porque aqui não tem banco quebrando; aqui não teve “subprime” (empréstimos podres) – e não estaria mentindo.

Não que ele, Lula, tenha domado os banqueiros tupiniquins e nem mesmo os tenha colocado sob seu controle. Nada disso, até pelo contrário, agora mesmo quer fazer – e precisa fazê-lo de qualquer jeito – baixar o spread (diferença entre o custo do dinheiro captado e os juros cobrados) dos bancos privados e eles, bancos, não dão a mínima para os pedidos do presidente. Sabe que precisa enquadrar os bancos nacionais, inclusive os oficiais, pois a vergonha maior não é sermos o país com o maior juro do mundo, 12,75% na Selic, mas o juro que os bancos cobram dos seus clientes, mais de 100% ao ano, na maioria das operações de crédito. E não são apenas os bancos, empresários também fazem dos juros o seu grande negócio na venda de mercadorias. São juros escorchantes que o governo precisa pôr freio nesse descaramento nacional. Mas isso pouco importa agora. Importa mesmo que diferente do resto do mundo aqui os bancos estão fortes, e só está acontecendo isso no Brasil. Brasil que ele, Lula, preside.

Lá, em Davos, encarando presidentes da maioria dos países mais poderosos; encarando os melhores economistas, os maiores empresários do mundo, poderia reforçar a imagem do país. Mas não, ele preferiu fazer um discurso em Belém, no seminário “A América Latina e o Desafio da Crise Internacional”. Discursou para o bolivariano Hugo Chávez, os presidentes do Equador, Bolívia, Paraguai e muitos intelectuais bondosos. Índios também e em grande número.

Aquele mesmo discurso poderia ter sido feito em Davos e com bem melhores resultados práticos porque lá estavam aqueles mesmos membros da OMC que participarão da Rodada de Doha daqui há pouco. E o Brasil, na atual conjuntura, precisa tanto “acertar a mão” nessa reunião. E não teria importância se, como de costume, Lula usasse sua bazófia em seu discurso na Suíça. O mundo já aprendeu a admirá-lo assim mesmo. Uma pena Lula ter perdido essa oportunidade.

Na verdade quem deveria tê-lo alertado seria o Ministro Celso Amorim que deve estar frustrado por isso.

  • Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

[email protected]/

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.