14/11/2008 12h00 – Atualizado em 14/11/2008 12h00
Nagela Atalla*
A pluralidade cultural brasileira reconhece a diversidade como direito de indivíduos, onde a democracia deve ser soberana quer seja entre classes, crenças, sexo e ou etnias.
Por ocasião da Comemoração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, inúmeros debates, reflexões, fóruns são promovidos, no intuito de desmistificar o preconceito racial existente no Brasil. Há quem defina a idéia de que o país vive a “democracia racial”, tanto que leis anti-racismo coíbem qualquer manifestação preconceituosa por cor de pele.
Nesse sentido, alegam ainda que visando à inserção social do negro foram criadas cotas para ingresso nas Universidades, a denominação “negro” tornou-se afro-brasileiro, o mercado publicitário tem se voltado para o afro, e mais, a cultura afro-brasileira e sua origens é conteúdo obrigatório nos referenciais curriculares do Ensino Fundamental e Médio, enfim a inclusão é real e abrange maior ingerência dos negros nos espaços de maior visibilidade social.
Entretanto, medidas como as supra mencionadas e leis não são suficientes para transformar pessoas só atitudes- cujas ações estejam verdadeiramente comprometidas com a mudança o que, sem dúvida, asseguraria o cumprimento do princípio “de que somos todos iguais perante a lei”.
Todavia, percebe-se que essa “inclusão” não passa de paliativo- que por si só é insuficiente para a ascensão do negro e, conseqüente, promulgação da qualidade de vida igualitária em relação aos brancos. Logo existe preconceito racial no nosso país.
Expressões ostensivas revelam o paradoxo da questão: por um lado, os camufladores do preconceito dizem que os negros não atingiram maiores expressões sociais pelo injustificável complexo de inferioridade que muitos demonstram, tornando-os mais aguçados e que assumem a existência do preconceito racial- ratificam a forma velada de sua ocorrência. Afinal, conforme assertiva de Florestam Fernandes “feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo”. E muitos silenciam…
Assim, as perspectivas de cidadania igualitária- construída numa sociedade onde brancos e negros possam, em mesmas condições lutar por seus ideais, sonhos e oportunidades só serão democráticas quando não se precisar mais de leis, decretos e ou regulamentos para se reconhecer que já espaço para todos.
Finalmente, a diversidade é notadamente imprescindível para o verdadeiro reconhecimento, valorização e respeito das diferenças étnicas, reflexão necessária na construção do processo histórico-social de uma nação; onde cada semelhante deve ser reconhecido pelo seu próprio valor.
*Nagela Atalla é professora titular de artes


