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quarta-feira, 18 de março de 2026

O poder seduz e o poder reduz

31/10/2008 09h48 – Atualizado em 31/10/2008 09h48

*Gilberto Jordão, professor universitário

O poder corrompe, o poder inebria, e o poder, como disse Caetano Veloso a respeito do dinheiro, “destroem coisas belas”. Imaginava-se que depois do exímio negociador de propinas, Severino Cavalcanti, que foi expulso da presidência da Câmara dos Deputados, no caso do “mensalinho”, um suborno menor do que o do mensalão, que todos os escândalos envolvendo uma cambada de deputados desonestos fossem não só apurados, como sumariamente punidos, como medidas saneadoras e profiláticas, porque aquilo ali não é refúgio de foras da lei.

Era também difícil de acreditar que após a passagem na presidência daquela Casa do furacão Severino ela fosse sacudida por mais ruínas, mesmo porque, depois de tanto rastro de destruição, o que se esperava em seguida era um choque de limpeza, rezam os manuais de fenômenos da natureza.

Infelizmente, nada disso aconteceu, e o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), natural da “princesinha das matas”, Viçosa, Alagoas, cidade que já dera outras figuras de destaque, como Teotônio Vilela, Don Avelar Brandão Vilela, e onde Graciliano Ramos se inspirou para escrever o romance São Bernardo, que serviu também de cenário para o filme do mesmo nome, com o saudoso Mário Lago como protagonista. Pois bem, Aldo Rebelo, que saiu daquele distante rincão para fazer uma brilhante carreira no Sul do País, ao assumir à presidência da Câmara dos Deputados, se esperava muito mais dele, na condução firme e serena daquela instituição, como na rigorosa apuração de todas aquelas falcatruas.

Foi picado pela mosca azul do poder e da cobiça, e faz vista grossa para os escândalos dos seus pares nos vergonhosos casos do mensalão e da máfia da sanguessuga, culminando com todos eles absolvidos e com o dinheiro do assalto aos cofres públicos metidos nos seus respectivos bolsos. E para macular mais ainda sua biografia, negociou com seus liderados um aumento abusivo de 91%, que se concederiam a eles próprios, de olho vivo na reeleição para presidente da Casa.

De uma coisa estamos certos: não existe humildade e seriedade por parte dos falsos representantes do povo. Existe sim uma loucura pelo poder, esquecendo os dogmas, a ética e os princípios partidários.

Pior legislatura, impossível, vamos acompanhar a próxima.

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