27/10/2008 07h52 – Atualizado em 27/10/2008 07h52
Roberta Kely Almeida Caparró*
Introdução
O objetivo deste artigo é descrever as dificuldades encontradas pela mulher na prática do judô, observando o porque destas dificuldades existirem e mostrar que a prática de tal modalidade é adequada tanto para homens como para mulheres.
Na atualidade a mulher vem conquistando seu espaço cada vez mais na sociedade e também no meio esportivo, buscando “uma inspiração de autonomia e independência que agora se faz forte nas sociedades, enfatizando assim a atividade sócio profissional das mulheres” (MONTEIRO, 1998).
As relações de gênero e poder também estão implicados no esporte. Assim a mulher atleta, encontra mais dificuldades, do que o homem, para desempenhar seu papel no esporte e de ser reconhecida como tal, já que não é isso que a sociedade espera dela, e sim uma mulher obediente destinada simplesmente a ser bonita e dedicada ao lar, onde surge a principal dificuldade da mulher no esporte que “busca reconhecimento de seu desempenho e conquistas enquanto atleta e não como um objeto decorativo de quadras, piscinas, tatames, campos ou programas esportivos televisivos” (CAPITANIO, 2004). Perante todos estes obstáculos, a mulher começou a prática do judô, transpassando as barreiras impostas pelo machismo da época e superando as novas dificuldades que surgiram, mas a luta da mulher continua na conquista de novos espaços e reivindicando os seus direitos.
Metodologia
A pesquisa de campo foi realizada por meio de entrevista com pessoas federadas no Judô CEAT (Centro de Aperfeiçoamento Técnico), em Três Lagoas – MS, no período de 25 de Junho à 09 de Julho de 2007. No desenvolvimento da pesquisa foram entrevistados três grupos de sujeitos diferentes sendo: mulheres judocas atuantes, mulheres judocas que já não treinam mais e homens judocas atuantes.
Para o embasamento teórico do estudo foi realizada pesquisa bibliográfica aportada em: livros, artigos, monografias, sites, etc
Resultados e Discussão
Conseguimos ao fim da pesquisa apontar que 80% das mulheres entrevistadas entraram no judô por iniciativa própria, sendo que a metade delas encontraram dificuldades como a falta de apoio da família. Quando questionadas sobre o preconceito existente com a mulher que pratica judô, houve uma unanimidade entre judocas atuantes e ex-judocas de que ainda existe muito preconceito. Segundo as ex-judocas, atualmente o preconceito já melhorou muito da época em que elas treinavam, e eram marginalizadas por tal prática.
Conclusão
Conclui-se que as mulheres praticam judô por iniciativa própria. A partir deste estudo podemos identificar que, a maior parte do preconceito vem dos homens que não praticam judô, que em geral, tem uma visão machista e negativa da mulher praticante de judô, por acreditarem que o corpo da mulher irá se deformar, julgando ser este esporte adequado apenas aos homens. Em relação à visão do homem judoca, concluímos que já se observa uma diferença substancial, eles são mais esclarecidos sobre o esporte, sendo menos preconceituosos.
Embora já tenha melhorado o preconceito de gênero é ainda a maior dificuldade enfrentada pelas judocas por adentrarem numa arena masculina e desestimuladas com argumentações de que desenvolverão homossexualidade e se tornará masculinizada, os homens judocas têm menos preconceito com relação as mulheres judocas que os homens em geral.
As mulheres Judocas acabam abandonando o judô por não conseguirem consiliar a sua prática com os estudos, trabalho, família, etc.
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Carlos Fernando dos Santos. Judô da Escola à Competição 3º Edição Editora Sprint Rio de Janeiro – RJ 2003
CAPITANIO, Ana Maria. Artigo da Revista Digital: Contexto social esportivo: fonte de stress para mulher? Universidade de São Paulo – 2004
MONTEIRO, Luciana Botelho. O Treinador do Judô no Brasil Editora Sprint Rio de Janeiro – RJ 1998
SUGAI, Vera Lucia. O Caminho do Guerreiro I. A CONTRIBUIÇÃO DAS Artes Marciais para o Equilíbrio Físico e Espiritual, 2º Edição Ed. Gente. São Paulo – SP, 2000.
- Roberta Kely Almeida Caparró é aluna do curso de Especialização em Ensino da Educação Física nas Faculdades Integradas de Paranaíba-MS.


