22/06/2008 18h43 – Atualizado em 22/06/2008 18h43
Ana Terra Bandeira
Tarde de domingo, como de costume sentei-me em frente ao computador para acessar meus e-mails, respondê-los, entrar em sites de notícias e, claro, verificar meu orkut (quem não tem orkut que atire a primeira pedra). Resolvi escrever um texto para nosso jornal laboratório, mas antes, precisava definir o tema, o assunto que seria abordado. Pensei por vários minutos o que poderia escrever, queria fazer um bom texto, com temática interessante e atual.
Aos poucos, lembrei-me de certa vez quando um querido professor disse que “…o óbvio é o mais difícil de se enxergar…”. Quem me conhece sabe que uso essa frase com muita freqüência.
Pois bem, estaria então definido o assunto que seria abordado em meu texto. Palavras chave: Comunicação, jornalismo, mídia e publicidade.
O saber prático da vida nos ensina a identificar fatos e objetos e a tirar proveito de suas funções, mas quando nos pedem explicações sobre coisas que todos nos sabemos o que é, nem sempre é fácil – como parece – explicá-las.
Por exemplo, quando nos perguntamos o que é Jornalismo, Publicidade ou mesmo o que é a Comunicação? Todos sabem. No mínimo imaginamos que jornalismo é aquilo que está no jornal, em alguns casos há quem pense que jornalismo é o próprio jornal ou telejornal, imaginamos ainda que a publicidade esteja relacionada apenas com a venda de produtos e serviços e que a comunicação é, tão somente, a linguagem verbal, escrita ou por meio de imagens. Há quem diga ainda que a comunicação, de uma maneira geral é efêmera, pois a notícia de hoje amanhã já não existe, aquele brinquedo que nossos filhos e irmãos vêem na propaganda dessa tarde, na semana seguinte será substituído por outro. Porém, essa é uma forma simplista de ver e entender a Comunicação.
Aquilo que é notícia, tão somente é, porque tem o potencial de transformar a realidade, as notícias de amanhã refletirão os efeitos das notícias de hoje, por isso os meios comunicacionais estão enraizados como ferramenta essencial para o contexto da vida, da realidade e da realização do presente.
Recentemente li um texto, interessantíssimo e rico em detalhes e críticas, em que o autor relacionou três grandes faces através das quais a transmissão de conhecimento se manifesta e pode ser entendida:
1 – A Comunicação enquanto linguagem – com características muito particulares;
2 – A Comunicação enquanto processo – na medida em que a notícia de hoje projeta e motiva os acontecimentos que amanhã serão noticiados há uma dinâmica relacionada aos próprios processos sociais, aos seus mecanismos e à sua lógica;
3 – A Comunicação enquanto espaço público – um espaço de todos que não é divisível, do qual todos podem utilizar para difundir suas idéias ou para captar aquilo que lhes interessa.
Por outro lado como atribuir valores a essas manifestações sem uma fonte de critérios? E é aqui que a opinião da sociedade é relevante, mas não uma sociedade como agrupamento de pessoas, mas sim como fonte das razões éticas, baseadas em princípios e valores de um processo histórico de acordos e conflitos. Sobretudo, quando se exige ética por parte da publicidade, do jornalismo e dos meios de comunicação, exige-se que tenham compromisso com os valores que a sociedade pré-estabeleceu e com os quais ela se manifesta.
O mais importante para todos nós, consumidores e para mim, em particular, como futura profissional de comunicação é jamais esquecer que, quando a mídia polemiza um acontecimento ou mesmo quando a publicidade induz ao consumo de produtos e serviços, ela cria discursos permeados de intencionalidades, sentidos e significados, cabe então decifrá-los.



