17/06/2008 11h08 – Atualizado em 17/06/2008 11h08
Paulo Rocaro
O setor de Saúde tem sido o grande vilão de todas as administrações municipais, das estaduais e do Governo Federal. Por mais que se faça, poucos são os prefeitos que conseguem ajeitar a situação. Temos exemplos clássicos aqui mesmo na fronteira que podem exemplificar o que estamos abordando. Para não extrapolar o conhecimento, analisemos o que está acontecendo em Antônio João e Ponta Porã.
Quando Dácio Queiroz (PMDB) era prefeito de Antônio João, construiu o hospital do município, ampliou e reformou postos de saúde e implantou postos do PSF (Programa Saúde da Família). Teve dispêndio na contratação de vários médicos e contou com algumas emendas parlamentares para adquirir ambulâncias para atender a população. Tornou a Saúde um exemplo para o Estado. Não estava bom.
Veio o novo prefeito, Junei Marques (na época, do PDT) e hoje a situação é completamente diferente. Por mais que faça, seu sistema administrativo não conseguiu manter aquele quadro, que hoje em dia é de discutível eficiência. Reclamações não faltam entre os habitantes, principalmente nas famílias pobres que dependem de assistência gratuita. O dilema da Saúde é evidente naquele município.
Em Ponta Porã, todos sabem como estava a Saúde quando Vagner Piantoni (PT) assumiu a prefeitura. Salários atrasados, funcionários em greve, hospital fechado. Para colocar a casa em ordem foi um ‘Deus nos acuda’. Apesar do trabalho social, não foi fácil promover o atendimento aos cidadãos. O grande trunfo de Piantoni naquela época foi o atendimento. Foi criticado por ter investido nesta área.
Depois assumiu Flávio Kayatt (PSDB), com a promessa de atender inclusive aos irmãos paraguaios. Não agüentou, teve que suspender o cumprimento de sua promessa de campanha, pois o SUS (Sistema Único de Saúde) não contempla com recursos os atendimentos de estrangeiro, que na nossa região pode ser considerado ‘população flutuante’. Não há governo que agüente, isso está comprovado.
Pelo que se vê no país, o atendimento aos que procuram os hospitais e postos de Saúde ainda é deficiente. Os entendidos no assunto garantem: o atendimento feito pelos atendentes na recepção representa 50% da solução do problema do paciente. Os outros 50% são o atendimento médico e psicológico e a disponibilidade de remédios. Notem que as administrações citadas são de partidos diferentes.
Então, dificilmente uma campanha política terá respaldo da população quando se fala em sistema de Saúde. Hoje, a grande resistência que há no Congresso Nacional em relação ao imposto que contempla a Saúde reside no fato de o setor estar falido há anos, mesmo quando a extinta CPMF surgiu para aumentar os recursos desta área. Poucos acreditam que um novo imposto vá resolver esse problema.
Primeiro, porque todos sabem que não é fácil contentar a todo mundo. Nem Jesus Cristo conseguiu. Segundo, porque a própria população tem se mostrado incrédula diante de programas que, por mais que sejam bem intencionados, também não promovem a correção da deficiência. Isso me faz lembrar aquela historinha sobre um dia em que Jesus Cristo resolveu voltar à Terra. E decidiu vir vestido de médico!
Procurou um lugar para descer, escolheu no Brasil um posto de Saúde do sistema SUS, onde viu um médico trabalhando havia muitas horas e morrendo de cansaço. Misericordioso, Jesus então entrou de jaleco, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o consultório médico. Os pacientes viram e falaram:
- Olha aí, vai trocar o plantão.
Jesus entrou na sala e falou para o colega que poderia ir, pois Ele iria tocar o ambulatório dali por diante. E, resoluto, gritou:
- O próximo!
Entrou no consultório um homem paraplégico em sua cadeira de rodas. Jesus levantou-se, olhou bem para o aleijado e com a palma da mão direita sobre sua cabeça, disse:
- Levanta-te e anda!
O homem levantou-se num salto, andou e saiu do consultório empurrando a própria cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o que seria o próximo da fila perguntou:
- E aí, como é esse Doutor novo?
E o homem que havia sido curado, respondeu:
- Igualzinho aos outros… Nem examina a gente!
Moral da história: Tem gente que já recebeu o milagre, mas nem se toca, pois só vive para reclamar ou colocar defeito em tudo nessa vida. E acreditem, apesar do sofrimento da população nos hospitais e postos de saúde, qualquer boa ação ou providência para solucionar o problema tem que ser efetiva e duradoura para ser percebida. Fora isso, será apenas mais uma promessa de campanha política.
- O autor é escritor e jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã, imortal da Academia Pontaporanense de Letras, membro do Lions Clube e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).


