Plataforma emite alerta quando identifica veículos cujos proprietários são procurados pela Justiça
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) firmou convênio com a CNM (Confederação Nacional dos Municípios), para ampliar o alcance do Alerta Brasil, sistema que emite alertas quando identifica veículos cujos proprietários têm mandado de prisão em aberto. As informações são da Folha de S. Paulo.
Assinado em dezembro, o acordo prevê o compartilhamento do sistema com guardas municipais e órgãos de trânsito de todo o país. Em troca, a PRF passa a ter acesso a câmeras de monitoramento instaladas pelos municípios, o que permite reduzir os chamados pontos cegos e acompanhar, em um único ambiente, veículos que deixam as rodovias federais e entram nos centros urbanos.
As polícias estaduais já utilizam o Alerta Brasil por meio de convênios firmados anteriormente.
Na prática, a plataforma faz a leitura automática de placas e monitora o fluxo viário em tempo real. Quando um veículo cujo dono tem mandado de prisão em aberto passa por um dos cerca de 39 mil pontos de monitoramento, o sistema cruza os dados da placa com bases oficiais.
O Alerta Brasil é alimentado por informações da PRF, do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), do Renach (Registro Nacional de Carteira de Habilitação), da Receita Federal e do Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Em 2025, a PRF prendeu 5.113 pessoas em cumprimento de mandados de prisão. A corporação não informa quantas dessas detenções tiveram origem direta nos alertas emitidos pelo sistema.
A proposta agora é levar a tecnologia a municípios que não teriam condições financeiras de arcar com o investimento necessário. Apenas no ano passado, foram aplicados R$ 58 milhões na manutenção do Alerta Brasil.
Segundo Nádia Zilotti, diretora de Inteligência da PRF, a integração é estratégica porque muitos agressores e outros criminosos atuam apenas no âmbito municipal ou estadual, fora do alcance direto das câmeras monitoradas pelo órgão federal.
De acordo com ela, o novo modelo também reduz a burocracia. Antes, a formalização de um convênio podia levar até nove meses. Com o acordo nacional, a adesão de novas cidades pode ser feita em poucos dias por meio de um termo simplificado.
Com a parceria, os alertas gerados pela inteligência da PRF passam a ser atendidos diretamente pelas guardas municipais.
Foco em violência de gênero
A PRF ajustou o sistema para priorizar veículos cujos proprietários tenham mandado de prisão em aberto por crimes relacionados à violência de gênero.
A partir dessa estratégia, foi lançada em outubro a Operação Alerta Lilás, que resultou na prisão, em rodovias federais, de 83 pessoas procuradas por crimes como feminicídio, estupro, agressão e tentativa de homicídio. Também houve detenções por inadimplência no pagamento de pensão alimentícia.
Fonte: Campo Grande News (por Gabriel Neris)


