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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Comunicação integrada reduz incêndios florestais na Costa Leste de MS

A Costa Leste de Mato Grosso do Sul, região amplamente coberta por florestas plantadas e propriedades rurais, vem se consolidando como referência no combate aos incêndios florestais graças a um sistema de comunicação ágil e integrado. A iniciativa, conhecida como “Informe Incêndio”, foi criada pela Reflore/MS e reúne empresas do setor florestal, produtores rurais, brigadistas particulares, trabalhadores de fazendas e órgãos de apoio.

Por meio de grupos de WhatsApp, qualquer foco de incêndio identificado na região é comunicado imediatamente, permitindo que as equipes mais próximas sejam acionadas sem burocracia. O modelo tem reduzido significativamente o tempo de resposta e evitado que pequenos focos se transformem em grandes incêndios.

BRIGADAS COBREM MAIS DE 1,5 MILHÃO DE HECTARES

Comunicação integrada reduz incêndios florestais na Costa Leste de MS

De acordo com o vice-presidente da Reflore/MS, Moacir Reis, o sistema de combate atende uma das maiores áreas florestais do estado. Ele explica que Mato Grosso do Sul possui entre 1,8 e 1,9 milhão de hectares de florestas plantadas e que cerca de 90% dessa área está concentrada na Costa Leste. “Isso representa mais de 1,5 milhão de hectares cobertos por monitoramento e por equipes de resposta”, afirma.

As áreas atendidas por cada grupo variam conforme a localização e a logística, podendo ir de 1 quilômetro até 200 quilômetros, embora a média fique entre 25 e 75 quilômetros, justamente para garantir agilidade no atendimento às ocorrências.

MAIS DE MIL PESSOAS ENVOLVIDAS NO PERÍODO CRÍTICO

O trabalho envolve um grande contingente humano. Segundo Moacir Reis, as equipes de brigadistas são formadas, em média, por quatro a 12 pessoas, podendo variar conforme a empresa e o período do ano. “No período mais crítico, principalmente durante o inverno, chegamos a ter praticamente mil pessoas atuando no combate a incêndios em todo o estado”, destaca.

Esse efetivo reúne brigadistas das empresas de celulose como Suzano, Eldorado, Arauco e Bracell, além de produtores independentes e fundos de investimento florestal. Em períodos chuvosos, o número diminui, mas ainda assim ultrapassa 500 profissionais, sem contar o apoio do Corpo de Bombeiros e das prefeituras.

MONITORAMENTO POR CÂMERAS E APOIO DE CAMPO

O sistema de vigilância é baseado principalmente em câmeras instaladas nas áreas florestais, complementadas por equipes que atuam diretamente em campo. Moacir lembra que, no passado, o monitoramento era feito por torres de observação, mas que a tecnologia trouxe mais eficiência e segurança. “Hoje é tudo por câmera, o que reduz riscos e melhora o tempo de resposta”, explica.

Comunicação integrada reduz incêndios florestais na Costa Leste de MS

Mesmo assim, nem todos os incêndios são identificados no início pelo monitoramento eletrônico. Nesses casos, trabalhadores rurais, capatazes e proprietários de fazendas exercem papel fundamental ao avisar rapidamente sobre os focos por meio dos grupos de comunicação.

COOPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS É DIFERENCIAL

Outro ponto destacado é a solidariedade entre as empresas do setor. Quando há grandes ocorrências, os recursos são compartilhados. “Uma empresa ajuda a outra. A Arauco, por exemplo, conta até com helicóptero, que pode ser usado em apoio para conter o avanço do fogo”, ressalta Moacir.

Um incêndio de grandes proporções registrado recentemente em Santa Rita do Pardo exemplifica a importância dessa integração. A ocorrência mobilizou várias equipes e só foi completamente controlada na madrugada do dia seguinte, evitando danos ainda maiores.

RODOVIAS E REDE ELÉTRICA SÃO PRINCIPAIS RISCOS

Comunicação integrada reduz incêndios florestais na Costa Leste de MS

Segundo o vice-presidente da Reflore/MS, os maiores desafios atuais estão relacionados às rodovias e à rede de energia elétrica. Ele aponta que muitos incêndios têm origem em lixo descartado às margens das estradas ou em falhas na fiação. “A situação da rede elétrica é caótica em alguns pontos, principalmente por causa de fio e tensão. Isso tem gerado muitos problemas”, alerta.

Moacir lembra que anos como 2015, 2020 e 2024 foram especialmente críticos, com registros de grandes incêndios que chegaram a ultrapassar 10 mil hectares queimados e prejuízos superiores a R$ 100 milhões em alguns casos.

PREVENÇÃO E CONSCIÊNCIA SÃO ESSENCIAIS

Comunicação integrada reduz incêndios florestais na Costa Leste de MS

Entre as principais medidas preventivas estão a construção e manutenção de aceiros, a revisão constante de máquinas e tratores e a realização de campanhas de conscientização. “Uma simples lata ou resíduo jogado no local errado pode iniciar um incêndio de grandes proporções”, enfatiza.

Para ele, o gestor florestal tem papel fundamental na prevenção, assim como campanhas permanentes, como o Fogo Zero, que já existe há mais de 20 anos e conta com parcerias do governo estadual e de entidades do setor.

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