A Costa Leste de Mato Grosso do Sul, região amplamente coberta por florestas plantadas e propriedades rurais, vem se consolidando como referência no combate aos incêndios florestais graças a um sistema de comunicação ágil e integrado. A iniciativa, conhecida como “Informe Incêndio”, foi criada pela Reflore/MS e reúne empresas do setor florestal, produtores rurais, brigadistas particulares, trabalhadores de fazendas e órgãos de apoio.
Por meio de grupos de WhatsApp, qualquer foco de incêndio identificado na região é comunicado imediatamente, permitindo que as equipes mais próximas sejam acionadas sem burocracia. O modelo tem reduzido significativamente o tempo de resposta e evitado que pequenos focos se transformem em grandes incêndios.
BRIGADAS COBREM MAIS DE 1,5 MILHÃO DE HECTARES

De acordo com o vice-presidente da Reflore/MS, Moacir Reis, o sistema de combate atende uma das maiores áreas florestais do estado. Ele explica que Mato Grosso do Sul possui entre 1,8 e 1,9 milhão de hectares de florestas plantadas e que cerca de 90% dessa área está concentrada na Costa Leste. “Isso representa mais de 1,5 milhão de hectares cobertos por monitoramento e por equipes de resposta”, afirma.
As áreas atendidas por cada grupo variam conforme a localização e a logística, podendo ir de 1 quilômetro até 200 quilômetros, embora a média fique entre 25 e 75 quilômetros, justamente para garantir agilidade no atendimento às ocorrências.
MAIS DE MIL PESSOAS ENVOLVIDAS NO PERÍODO CRÍTICO
O trabalho envolve um grande contingente humano. Segundo Moacir Reis, as equipes de brigadistas são formadas, em média, por quatro a 12 pessoas, podendo variar conforme a empresa e o período do ano. “No período mais crítico, principalmente durante o inverno, chegamos a ter praticamente mil pessoas atuando no combate a incêndios em todo o estado”, destaca.
Esse efetivo reúne brigadistas das empresas de celulose como Suzano, Eldorado, Arauco e Bracell, além de produtores independentes e fundos de investimento florestal. Em períodos chuvosos, o número diminui, mas ainda assim ultrapassa 500 profissionais, sem contar o apoio do Corpo de Bombeiros e das prefeituras.
MONITORAMENTO POR CÂMERAS E APOIO DE CAMPO
O sistema de vigilância é baseado principalmente em câmeras instaladas nas áreas florestais, complementadas por equipes que atuam diretamente em campo. Moacir lembra que, no passado, o monitoramento era feito por torres de observação, mas que a tecnologia trouxe mais eficiência e segurança. “Hoje é tudo por câmera, o que reduz riscos e melhora o tempo de resposta”, explica.

Mesmo assim, nem todos os incêndios são identificados no início pelo monitoramento eletrônico. Nesses casos, trabalhadores rurais, capatazes e proprietários de fazendas exercem papel fundamental ao avisar rapidamente sobre os focos por meio dos grupos de comunicação.
COOPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS É DIFERENCIAL
Outro ponto destacado é a solidariedade entre as empresas do setor. Quando há grandes ocorrências, os recursos são compartilhados. “Uma empresa ajuda a outra. A Arauco, por exemplo, conta até com helicóptero, que pode ser usado em apoio para conter o avanço do fogo”, ressalta Moacir.
Um incêndio de grandes proporções registrado recentemente em Santa Rita do Pardo exemplifica a importância dessa integração. A ocorrência mobilizou várias equipes e só foi completamente controlada na madrugada do dia seguinte, evitando danos ainda maiores.
RODOVIAS E REDE ELÉTRICA SÃO PRINCIPAIS RISCOS

Segundo o vice-presidente da Reflore/MS, os maiores desafios atuais estão relacionados às rodovias e à rede de energia elétrica. Ele aponta que muitos incêndios têm origem em lixo descartado às margens das estradas ou em falhas na fiação. “A situação da rede elétrica é caótica em alguns pontos, principalmente por causa de fio e tensão. Isso tem gerado muitos problemas”, alerta.
Moacir lembra que anos como 2015, 2020 e 2024 foram especialmente críticos, com registros de grandes incêndios que chegaram a ultrapassar 10 mil hectares queimados e prejuízos superiores a R$ 100 milhões em alguns casos.
PREVENÇÃO E CONSCIÊNCIA SÃO ESSENCIAIS

Entre as principais medidas preventivas estão a construção e manutenção de aceiros, a revisão constante de máquinas e tratores e a realização de campanhas de conscientização. “Uma simples lata ou resíduo jogado no local errado pode iniciar um incêndio de grandes proporções”, enfatiza.
Para ele, o gestor florestal tem papel fundamental na prevenção, assim como campanhas permanentes, como o Fogo Zero, que já existe há mais de 20 anos e conta com parcerias do governo estadual e de entidades do setor.


