A previsão é do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve entrar em vigor no segundo semestre de 2026. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov.
Segundo Alckmin, o texto do acordo, negociado ao longo de cerca de 25 anos, será assinado no sábado (17), no Paraguai, país que exerce a presidência rotativa do Mercosul. Após a assinatura, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, no Brasil, pelo Congresso Nacional, etapa necessária para a internalização das regras.
“A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que, no segundo semestre, tenhamos a vigência do acordo”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também informou que um acordo comercial entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos já está encaminhado e que o Brasil mantém negociações em andamento com Canadá, México e Índia. No caso indiano, segundo ele, as conversas envolvem preferências tarifárias, e não um tratado de livre comércio.
O vice-presidente avaliou ainda que o acordo com a União Europeia não interfere nas negociações do Brasil com os Estados Unidos. Segundo ele, o governo segue tentando reduzir tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros, mesmo após a retirada de parte das sobretaxas adotadas anteriormente.
Questionado sobre a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países que mantêm comércio com o Irã, Alckmin afirmou que o fluxo comercial brasileiro com Teerã é pequeno e que o tema está sendo tratado pelo Itamaraty.
Contexto em Mato Grosso do Sul
Embora Alckmin não tenha feito referência direta a Mato Grosso do Sul, o avanço do acordo é acompanhado com atenção pelo setor produtivo do Estado. Reportagens recentes do Campo Grande News mostram que a possível entrada em vigor do tratado ocorre em meio a restrições impostas pela China a produtos agropecuários, o que levou representantes do agro sul-mato-grossense a enxergarem o acordo como uma alternativa de mercado, ainda que com limitações.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indica que o acordo prevê a eliminação de tarifas para 77% dos produtos agropecuários do Mercosul exportados à União Europeia, com impacto potencial sobre carnes, frutas e vegetais. No entanto, especialistas e lideranças do setor destacam que o tratado estabelece cotas e mantém tarifas para alguns produtos, o que reduz os efeitos imediatos.
Para Mato Grosso do Sul, a avaliação predominante é de cautela. O acordo é visto como uma possibilidade de diversificação de mercados no médio e longo prazo, mas não como uma solução automática para perdas causadas por barreiras comerciais em outros destinos.
Fonte: Campo Grande News (por Ângela Kempfer)



