Ao lado de centenas de outros parlamentares, Catan reforça que a mobilização não é um ataque à democracia, mas um grito pela sua restauração plena
Deputados e outros parlamentares brasileiros, liderados por Nikolas Ferreira, estão prestes a se reunir hoje (25.01) na Praça Cruzeiro, em Brasília, após percorrerem cerca de 240 quilômetros a pé, em um ato que promete reunir milhares de pessoas em defesa da liberdade, da justiça e da anistia aos presos do 8 de janeiro e ao presidente Jair Bolsonaro. Este ato final consagra a “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, que saiu de Paracatu (MG) rumo à capital federal e se consolidou como símbolo de resistência democrática para um exército de brasileiros que não aceita calado os abusos de poder e as perseguições políticas no país.
O deputado estadual João Henrique Catan (PL-MS) é um dos protagonistas da chegada da comitiva a Brasília, após ter se juntado à caminhada na última terça-feira pela manhã, representando os sul-mato-grossenses que se recusam a assistir passivamente às injustiças praticadas contra manifestantes do 8 de janeiro e contra o presidente Bolsonaro. Ele viajou toda a noite do último dia 19 (segunda-feira) e foi o primeiro parlamentar de MS a se juntar à comitiva, o que aconteceu na terça-feira, às 8h, entre Paracatu (MG) e Cristalina (GO), percorrendo até hoje aproximadamente 190 quilômetros em 60 horas de caminhada.
“Vim para ser a voz de Mato Grosso do Sul aqui na estrada, ao lado desse povo que está cansado de ver inocentes atrás das grades enquanto os verdadeiros responsáveis pelos escândalos seguem impunes”, afirma Catan, visivelmente emocionado.
Para o deputado, o momento é de enfrentamento histórico: “O Brasil vive um tempo de medo, censura e perseguição, mas nós não aceitaremos que calem a voz de quem pensa diferente. Se muito vale o que já fizemos, mais vale o que ainda virá, não vamos desistir nunca”. O deputado reforça que a caminhada não é um gesto isolado, mas parte de um movimento nacional de resgate da esperança: “Cada passo que damos é um grito contra a injustiça e um lembrete de que este país ainda pertence ao seu povo, não a meia dúzia de togados e burocratas distantes da realidade”.
Deputados de MS na Praça do Cruzeiro
Além do deputado João Henrique Catan, integram a mobilização os deputados sul-mato-grossenses Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, também do PL, que se somaram ao grupo ao longo do percurso rumo a Brasília. “Este movimento não é restrito a um Estado ou região, mas uma articulação nacional em defesa da liberdade e contra o que classificam como prisões políticas. Quando olhamos para essa multidão nesta praça, enxergamos famílias, trabalhadores, gente simples que só quer justiça e respeito. Não viemos aqui para atacar a democracia; viemos para resgatar o que ela tem de mais sagrado, que é a liberdade de consciência, de expressão e de manifestação”, destaca João Henrique Catan, ao comentar a presença da bancada de Mato Grosso do Sul ao lado de Nikolas. Ele ressalta que o recado é claro: “O Brasil não aceita mais dois pesos e duas medidas. Se a lei vale para um, tem que valer para todos”.
Dores do caminho, força do propósito
Desde o início da caminhada, o deputado e demais participantes enfrentaram sol forte, subidas íngremes, longos trechos de asfalto e poucas estruturas de apoio, com relatos de bolhas nos pés, dores musculares e cansaço extremo ao final de cada dia. “Tem gente aqui com o pé em carne viva, tomando remédio para dor. Dormimos pouco e, mesmo assim, o exército de apoiadores aumentava dia após dia, decidido a continuar. A dor física passa, mas a dor de ver o nosso país injustiçado é muito maior, e é contra essa dor que estamos caminhando”, relata Catan.
O deputado lembra que muitos caminham em nome de familiares e amigos que se sentem injustiçados: “Cada bolha no pé é um protesto silencioso contra as arbitrariedades que estamos vendo. Enquanto os escândalos do governo atual e as decisões absurdas do STF passam impunes, brasileiros de bem estão pagando um preço altíssimo por terem ido às ruas. Isso é inaceitável”. Segundo o parlamentar, o sacrifício de cada quilômetro percorrido é uma forma de dizer ao país que “não haverá prisão suficiente para trancar a vontade de um povo que decidiu lutar até o fim pela verdade e pela justiça”.
Ao chegar à Praça do Cruzeiro cercada por uma multidão, a comitiva entrega mais do que um ato simbólico; entrega uma mensagem política contundente de que o Brasil profundo segue disposto a enfrentar o medo, a narrativa dominante e a máquina estatal para defender aquilo que considera justo.
“Esta caminhada é um divisor de águas. Não estamos aqui por conveniência ou por marketing político. Estamos aqui porque acreditamos, de verdade, que o Brasil merece mais do que um sistema de Justiça que persegue uns e protege outros”, enfatiza o deputado. Para ele, a verdadeira democracia é feita na rua, com o povo de cabeça erguida: “Hoje mostramos que não estamos derrotados, estamos apenas começando. Se querem nos ver de joelhos, vão ter que se acostumar a nos ver caminhando sempre que for preciso”.



