Transição antecipada para a seca já dobrou focos de incêndios neste mês
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul e organizações ambientais estão em alerta diante da situação de atenção para riscos de incêndios florestais em grande parte do Estado. Mesmo sem municípios em nível extremo neste início de 2026, o aumento de focos de calor e a combinação de seca prolongada, chuvas irregulares e uso recorrente do fogo no campo já resultam em ocorrências no Pantanal, onde incêndios recentes mobilizam equipes de combate e reforçam a necessidade de ações preventivas.
A preocupação se intensifica após levantamento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) indicar que 36 municípios sul-mato-grossenses estão classificados em nível de atenção para queimadas, enquanto outros 35 permanecem em observação. O diagnóstico aponta que o risco atual está menos relacionado a extremos climáticos e mais à transição precoce para o período seco, com chuvas irregulares nos biomas Cerrado e Pantanal, além do uso frequente do fogo em atividades agropecuárias.
Combate ao fogo
No Pantanal, os primeiros incêndios de 2026 já atingem áreas estratégicas. Equipes do Corpo de Bombeiros atuam em focos próximos ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, ao norte da Serra da Bodoquena, além de ocorrências no Nabileque e na região norte de Corumbá, às margens do Rio Paraguai.
Segundo o Corpo de Bombeiros, entre 1º e 26 de janeiro deste ano, os satélites de monitoramento identificaram 69 focos ativos no bioma pantaneiro, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025. Para conter as chamas, os Bombeiros utilizam apoio aéreo com aeronave de combate, responsável por lançamentos de água e por sobrevoos estratégicos que permitem localizar incêndios ainda em estágio inicial.
O subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, major Eduardo Rachid Teixeira, afirmou que, embora historicamente haja registros de incêndios mesmo durante o período chuvoso, neste ano os focos têm surgido com maior intensidade. Segundo ele, diante desse cenário, a corporação já vem reforçando sua estrutura para garantir capacidade de resposta, com a unidade de Corumbá mobilizando equipes para atuar diretamente no combate aos incêndios no Pantanal.
Prevenção
Paralelamente ao combate direto, a corporação prepara uma estrutura permanente de prevenção com a implantação de 11 bases avançadas de combate a incêndios no interior do Pantanal, instaladas em regiões de difícil acesso, onde o deslocamento por terra a partir dos centros urbanos pode levar horas ou até dias.
Segundo a assessoria de imprensa da corporação, essas bases serão distribuídas conforme a evolução da seca, a concentração de focos e as condições de acesso, já que algumas áreas podem permanecer alagadas durante parte do ano.
Com essa logística, a expectativa é reduzir o tempo de resposta aos focos de incêndio e evitar deslocamentos longos a partir de cidades como Corumbá e Miranda.
O plano de prevenção inclui ainda integração permanente entre Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais estaduais, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e instituições de monitoramento climático.
Major Teixeira afirmou que os órgãos envolvidos vêm realizando reuniões e alinhando os planos operacionais para garantir condições de atuação durante o período mais crítico da seca, com o objetivo de repetir resultados próximos aos melhores índices históricos registrados no ano passado.
Brigadas
Para a SOS Pantanal, o desafio vai além da capacidade de combate. Segundo o diretor de Comunicação da entidade, Gustavo Figueiroa, o Pantanal enfrenta um processo de seca crônica, que tende a se agravar com temperaturas acima da média previstas para 2026.
A organização mantém 29 brigadas próprias em atuação direta e participa de uma rede com 66 brigadas distribuídas pelo bioma, trabalhando principalmente na prevenção, planejamento territorial e preparação de comunidades, com treinamentos e construção de aceiros. Figueiroa ressaltou que o trabalho tem sido contínuo.
“O combate é fundamental, mas não suficiente. Se o incêndio alcançar grandes proporções, não há estrutura que dê conta. Por isso, a prioridade precisa ser preparar os territórios e evitar que o fogo se espalhe”, afirma.
Com o Estado em situação de atenção, focos já registrados no Pantanal e previsões climáticas desfavoráveis, Bombeiros e organizações ambientais avaliam que os próximos meses exigirão vigilância constante e ações preventivas contínuas para evitar incêndios de grandes proporções.
Fonte: Campo Grande News (por Inara Silva)





