Setor florestal cresce, mas falta gente: o novo desafio estratégico de MS
O avanço acelerado do setor florestal em Mato Grosso do Sul trouxe ganhos expressivos em produção, tecnologia e investimentos, mas também expôs um dos principais gargalos da cadeia: a escassez de mão de obra. O que há uma década era um cenário de abundância de trabalhadores disponíveis hoje se tornou um desafio estratégico para empresas de base florestal que operam no estado.
Segundo Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Brasil, a mudança é resultado de uma combinação de fatores. “Nos últimos anos, várias empresas passaram a operar em Mato Grosso do Sul, aumentando muito a demanda por profissionais. Além disso, o estado tem baixa densidade demográfica. A equação entre oferta e demanda mudou completamente”, explica.
O cenário é ainda mais complexo porque a escassez não está apenas relacionada ao número de trabalhadores, mas também ao perfil dessa nova força de trabalho. “A geração mudou. O que era aceito há 10 ou 15 anos já não é mais. Hoje, as pessoas buscam conforto, qualidade de vida, propósito e respeito dentro das organizações”, afirma.
Emprego existe, mas a adaptação é o desafio
Mato Grosso do Sul vive, atualmente, uma situação próxima ao pleno emprego no setor florestal. São vagas qualificadas, ligadas a operações cada vez mais tecnológicas, mas que exigem um ecossistema social preparado para receber novos profissionais.
“O problema não é convencer alguém a ir para o estado, é como essa pessoa vai se instalar. Falta moradia, escolas, leitos hospitalares, estrutura urbana. Algumas cidades evoluíram, como Três Lagoas, mas outras ainda enfrentam limitações”, pontua Germano, citando municípios estratégicos como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Selvíria.
Diante desse contexto, empresas do setor passaram a assumir um papel ativo não apenas na geração de empregos, mas também no suporte social e na qualidade de vida dos colaboradores.
Eldorado Brasil aposta em atração, qualificação e retenção
Na Eldorado Brasil, a resposta ao desafio da mão de obra veio com a criação do programa “Nossa Gente”, estruturado em quatro pilares: conforto e adaptação, carreira, relacionamento e família.
No campo, as mudanças começam pelo básico. Transporte confortável com internet via satélite, uniformes mais leves e funcionais, alimentação personalizada e alojamentos reformulados — agora chamados de “estações do sono”, com quartos menores, suítes, internet e áreas de descanso. “A ideia é que a pessoa realmente consiga se recuperar e se sentir bem”, explica o diretor florestal.
Outro avanço é a chamada “cabinização” das operações. “Hoje, mais de 70% dos trabalhadores atuam dentro de cabines climatizadas, com conforto térmico e menor desgaste físico. Isso muda completamente a experiência de trabalho no campo”, destaca.
Capacitação contínua e trilhas de carreira
A qualificação profissional também é tratada como prioridade. A Eldorado treina cerca de 3 mil pessoas por ano, número superior ao próprio quadro de colaboradores. Por meio de um sistema acessível pelo celular, o trabalhador pode visualizar trilhas de carreira, entender os requisitos para novas funções e se candidatar a cursos internos de capacitação.
“Hoje, o colaborador consegue enxergar claramente onde está e onde pode chegar. Isso aumenta o engajamento e reduz a rotatividade”, afirma Germano.
A relação entre líderes e equipes também passou por mudanças. A empresa investe na formação de lideranças com foco em respeito, escuta ativa e valorização individual. Iniciativas como o “termômetro da felicidade” buscam medir o clima organizacional e antecipar problemas de retenção.
Família como parte da estratégia
O quarto pilar do programa é a família. A Eldorado tem investido em ações de apoio social, como telemedicina em municípios com baixa oferta de especialistas, além de projetos que aproximam familiares do ambiente de trabalho.
“Queremos que o pai tenha orgulho do filho e que o filho tenha orgulho do pai. Estamos criando programas culturais, educacionais e até visitas dos filhos às áreas operacionais, para que entendam o trabalho realizado”, conta Germano.
Tema central na Mais Floresta ExpoRibas 2026
A falta de mão de obra qualificada e as estratégias para atrair, desenvolver e reter talentos serão um dos temas centrais da Mais Floresta ExpoRibas 2026, que acontece de 18 a 21 de março, em Ribas do Rio Pardo.
Durante os três dias da feira, o assunto será debatido em um pavilhão exclusivo, em parceria com Senar, Sebrae e Senai, reunindo empresas, especialistas, instituições de ensino e profissionais do setor florestal. O objetivo é conectar demandas reais das empresas com soluções práticas em capacitação, qualificação e desenvolvimento regional.
“A Mais Floresta nasce como um hub de tecnologia, negócios e pessoas. Discutir mão de obra é discutir o futuro do setor florestal”, destaca Paulo Cardoso, CEO da Paulo Cardoso Comunicações e idealizador da feira.
Para quem quiser se aprofundar no tema e conhecer mais detalhes sobre as ações da Eldorado Brasil, a entrevista completa com o diretor florestal está disponível no link:
https://youtu.be/FQLetLhtFPY?si=pKSpv-Dc8GeNF6tn





