Novo aporte de R$ 25 bilhões para construção de mais uma fábrica no Rio Grande do Sul se soma à força produtiva de Mato Grosso do Sul, consolidando o país como potência global no setor de celulose
O setor brasileiro de celulose segue em ritmo acelerado de crescimento e se consolida como um dos principais vetores do desenvolvimento econômico nacional. Além do avanço expressivo registrado em Mato Grosso do Sul, o Rio Grande do Sul amplia sua participação nesse cenário com um novo investimento bilionário do grupo chileno CMPC, que já atua no estado por meio de sua unidade instalada em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A empresa anunciou investimento estimado em R$ 25 bilhões para a implantação de uma nova fábrica de celulose no município de Barra do Ribeiro, reforçando a posição estratégica do Brasil no mercado global do setor. O Projeto Natureza prevê uma planta industrial de última geração, com capacidade produtiva de 2,5 milhões de toneladas anuais, além da construção de um terminal portuário para escoamento da produção.
EFICIÊNCIA
A nova unidade será baseada no conceito BAT (Best Available Technology), que reúne as tecnologias mais avançadas disponíveis no setor industrial, priorizando alta eficiência energética, ganhos de produtividade e rigorosos sistemas de controle ambiental. O início das obras está previsto para 2026, com conclusão estimada para 2029.
MS SE CONSOLIDA COMO PRINCIPAL POLO DA CELULOSE NO PAÍS

Enquanto o Rio Grande do Sul amplia sua capacidade produtiva, Mato Grosso do Sul mantém a liderança nacional no setor de celulose. O estado vive um ciclo contínuo de investimentos e deve operar, nos próximos anos, com seis fábricas do setor, consolidando-se como um dos maiores polos florestais do mundo.
O avanço da cadeia produtiva sul-mato-grossense teve início há cerca de duas décadas, especialmente na região da Costa Leste do estado, hoje reconhecida nacionalmente como o “Vale da Celulose”, responsável por aproximadamente 24% da produção brasileira.
TRÊS LAGOAS: PIONEIRISMO E TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA

O município de Três Lagoas, terceira maior cidade de Mato Grosso do Sul, foi o desbravador do setor no estado. A chegada de grandes empreendimentos, como Suzano (antiga VCP) e Eldorado Brasil, impulsionou a economia local e transformou o município em referência nacional em geração de empregos e exportações.
O crescimento acelerado trouxe ganhos expressivos, mas também desafios. A cidade precisou se adaptar rapidamente ao aumento populacional, à pressão sobre os serviços públicos, à valorização imobiliária e ao crescimento do fluxo de veículos. Ainda assim, o município se reinventou e hoje ultrapassa 143 mil habitantes, sendo o maior exportador de Mato Grosso do Sul.
EXPANSÃO PARA NOVOS MUNICÍPIOS E EFEITOS REGIONAIS

Após Três Lagoas, o setor avançou para Ribas do Rio Pardo, que recebeu mais uma unidade da Suzano, em operação desde o ano passado. Diferentemente do início do ciclo, o município pôde se espelhar na experiência de Três Lagoas para mitigar impactos e planejar o crescimento.
Mais recentemente, foi confirmada a implantação da sexta fábrica de celulose no estado, ampliando ainda mais a cadeia produtiva florestal. Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com quatro fábricas em operação, uma em construção — da chilena Arauco, em Inocência — e outra confirmada, da Bracell, no município de Bataguassu.
Inocência, por exemplo, possuía pouco mais de 8 mil habitantes e atualmente abriga cerca de 8 mil trabalhadores atuando No projeto da Arauco, cuja operação está prevista para 2027. O cenário evidencia o impacto direto desses empreendimentos na economia local, ao mesmo tempo em que amplia a demanda por infraestrutura, moradia e serviços públicos.
CRESCIMENTO ECONÔMICO E NECESSIDADE DE PLANEJAMENTO

A nova unidade da Bracell em Bataguassu contará com investimento estimado em US$ 4 bilhões, capacidade produtiva de 2,8 milhões de toneladas anuais e geração de aproximadamente 10 mil empregos durante as obras e 3 mil empregos na fase operacional.
Com projetos bilionários em andamento no Sul e no Centro-Oeste, o setor de celulose vive um de seus momentos mais sólidos no Brasil. A combinação de investimentos, tecnologia de ponta e geração de empregos fortalece a economia nacional, ao mesmo tempo em que impõe aos estados e municípios o desafio de conciliar crescimento industrial, planejamento urbano e qualidade de vida.



