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Três Lagoas
sexta-feira, 3 de abril de 2026

Menos caminhões, mais futuro: Arauco inicia ferrovia que promete revolução logística em MS


Ramal ferroviário de 47 km ligado ao Projeto Sucuriú deve retirar carretas que fariam 7 mil viagens mensais das estradas e reduzir em 94% as emissões em comparação ao transporte rodoviário

Desafogar rodovias, reduzir acidentes e preparar Mato Grosso do Sul para um novo patamar logístico. É com esse discurso — e com números robustos — que a Arauco iniciou as atividades preparatórias para a construção de um ramal ferroviário privado de 47 quilômetros que atenderá exclusivamente à futura fábrica de celulose da companhia em Inocência, o Projeto Sucuriú. O investimento total é de US$ 4,6 bilhões e marca a entrada da operação de celulose da empresa chilena no Brasil. O lançamento oficial da obra ocorrerá na próxima sexta-feira, (06), no site do Projeto Sucuriú.

DIVISOR DE ÁGUAS

A ferrovia ligará diretamente a planta industrial à malha norte da Rumo, criando um corredor logístico contínuo até o Porto de Santos, por onde a produção seguirá para mercados internacionais estratégicos. Na prática, a escolha pelo modal ferroviário representa um divisor de águas para o Estado: serão cerca de 7 mil viagens de caminhões a menos por mês e uma redução estimada de 94% nas emissões de gases de efeito estufa em relação ao transporte rodoviário.

A decisão contrasta com a realidade histórica de Mato Grosso do Sul, onde a expansão da indústria de celulose nas últimas duas décadas se deu, majoritariamente, à custa das rodovias. Três Lagoas, cidade pioneira do setor, abriga fábricas há quase 20 anos e, mesmo assim, as estradas conhecidas como “rota da celulose” seguem sem melhorias estruturantes compatíveis com o tráfego intenso de veículos pesados.

FLUXO LOGÍSTICO

Menos caminhões, mais futuro: Arauco inicia ferrovia que promete revolução logística em MS

BR-262 e BR-158 são exemplos recorrentes de vias sobrecarregadas, palco de inúmeros acidentes e alvo constante de reivindicações por duplicação, terceira faixa e maior fiscalização. Apesar de intervenções pontuais, como recapeamentos e faixas adicionais, as medidas nunca foram suficientes para acompanhar o crescimento do fluxo logístico imposto pelas indústrias.

MITIGANDO IMPACTOS

A Arauco chega com uma proposta diferente. Antes mesmo de iniciar a operação industrial, a empresa aposta em uma logística estruturada, capaz de mitigar impactos viários e ambientais. O contraste é significativo: uma fábrica de celulose costuma demandar, em média, cerca de 500 caminhões por dia transportando madeira e insumos pelas estradas da região.

Outras empresas do setor também buscaram soluções alternativas ao longo do tempo. A Eldorado Brasil, por exemplo, anunciou após 13 anos de operação a construção de uma ferrovia para escoar sua produção até Aparecida do Taboado e, de lá, seguir por trem até Santos. O projeto original previa transporte fluvial pela hidrovia Tietê–Paraná, a partir de um terminal próprio no Rio Paraná, mas limitações de calado inviabilizaram a operação.

Já a Suzano, que mantém fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário, embora invista em inovação logística para reduzir impactos. Um exemplo é o uso do “hexatrem”, supercomboio de 52 metros capaz de transportar até 200 toneladas de toras de eucalipto, ampliando a produtividade e reduzindo o consumo de combustível.

Mesmo assim, o peso sobre as estradas permanece alto. Nos próximos anos, com a entrada em operação de novas plantas — além da Arauco em Inocência, uma unidade da Bracell em Bataguassu —, o desafio logístico do Estado tende a se intensificar.

DIÁLOGO COM OS PROPRIETÁRIOS RURAIS

É nesse contexto que o ramal ferroviário da Arauco se destaca. O traçado seguirá paralelo às rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais. O projeto prevê passagens inferiores e superiores, ajustes viários e estruturas específicas para a travessia de animais. No cruzamento com o córrego São Mateus, será construída uma ponte de 270 metros, reduzindo movimentação de solo e supressão vegetal.

A implantação envolve 40 propriedades rurais. Mesmo após a emissão da Declaração de Utilidade Pública (DUP) pela ANTT, a empresa afirma manter diálogo com os proprietários e autoridades locais, iniciando as obras apenas em áreas onde as negociações já foram concluídas.

COMPROMETIMENTO AMBIENTAL

Como compensação ambiental, a Arauco firmou um Termo de Compromisso com o Imasul, prevendo investimentos de R$ 4,3 milhões, ao longo de 24 meses, em ações de recuperação e conservação ambiental na região de influência do projeto.

Mais do que uma obra de infraestrutura, a ferrovia representa uma mudança de paradigma. Ao modernizar a logística, reforçar a segurança viária e reduzir drasticamente as emissões, o projeto se consolida como uma iniciativa de interesse público e estratégico — com potencial para redefinir a dinâmica econômica de Inocência e de todo o leste de Mato Grosso do Sul.

PROJETO SUCURIÚ

Menos caminhões, mais futuro: Arauco inicia ferrovia que promete revolução logística em MS
Site do Projeto Sucuriú segue dentro do cronograma e atualmente conta com 8 mil trabalhadores atuando na obra da fábrica (Foto: @silla.visuals)

O Projeto Sucuriú marca a estreia da divisão de celulose da Arauco no Brasil. Com investimento de US$ 4,6 bilhões, prevê a construção de uma planta com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano. A unidade ocupará uma área de 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, às margens do rio Sucuriú. A terraplanagem teve início em 2024 e a previsão é que a fábrica entre em operação no final de 2027.

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