Mato Grosso do Sul tem 14º maior custo de vida do País, mas se destaca por despesas básicas elevadas
Morar em Mato Grosso do Sul custa, em média, R$ 3.330 por mês, segundo pesquisa da Serasa. O valor coloca o Estado na 14ª posição do ranking nacional de custo de vida, ficando abaixo da média brasileira, que é de R$ 3.520.
No entanto, um dado chama a atenção no levantamento: o Estado possui o 3º maior gasto médio do Brasil com contas recorrentes, como água, luz e internet.
Segundo Marcus Luz, especialista em educação financeira da Serasa, a organização rigorosa das contas é a principal ferramenta para evitar o superendividamento e a queda na pontuação de crédito (Score). “A pesquisa é fruto das respostas obtidas em comparação aos outros estados do Brasil. Então, aqui, os sul-mato-grossenses que participaram dessa pesquisa trouxeram esses valores e nós chegamos nessa média, em comparação com o restante dos estados”.
A pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada em parceria com o instituto Opinion Box, mapeou dez categorias de gastos para entender o peso das despesas no bolso dos brasileiros.
Enquanto o custo de vida total do sul-mato-grossense é menor que o de estados vizinhos como o Paraná (R$ 4,3 mil) ou São Paulo (R$ 4.270), as chamadas “contas básicas” pesam mais.
Com um gasto médio de R$ 610 mensais em contas recorrentes, Mato Grosso do Sul só fica atrás do Mato Grosso (R$ 670) e do Distrito Federal (R$ 640) nesta categoria específica.
De forma geral, o tripé formado por supermercado, contas recorrentes e moradia abocanha quase 60% do orçamento das famílias no estado sul-mato-grossense.
Para Marcus Luz, o primeiro passo para manter as finanças em dia é priorizar o que é indispensável. Ele defende que gastos com moradia, saúde e utilidades públicas devem encabeçar a lista do orçamento mensal. Luz ressalta que pequenas mudanças de hábito no dia a dia podem gerar economias significativas no final do mês. “Sempre há formas de economizar, acho que em relação à água é sempre tomar cuidado, não deixar torneiras de maneiras abertas, sempre pensar antes de consumir e tomar esse cuidado para não deixar registros abertos e para a luz segue a mesma lógica”.
Outro ponto crítico no orçamento é a alimentação. O especialista esclarece que comer fora ou utilizar aplicativos de entrega tende a elevar drasticamente o custo médio. A recomendação é clara: se o dinheiro estiver curto, a prioridade deve ser cozinhar em casa.
Além da mudança de hábito, a estratégia de compra no supermercado também faz diferença. Luz sugere que o consumidor faça um planejamento para realizar compras mensais em estabelecimentos do tipo “atacarejo”, em vez de várias compras pequenas em mercados de bairro, que costumam ser mais caros pela conveniência. “Envolve também esse planejamento: O que é necessário? O que já tem de produto em casa? O que é necessário comprar? Para tentar ao máximo, ir pouquíssimas vezes, se possível, uma ou no máximo duas vezes, no mercado durante o mês”, orienta.
Dificuldade na gestão financeira
Apesar de não figurar entre os estados mais caros do País, o desafio de fechar as contas é real. Segundo o estudo, apenas 19% dos moradores da região Centro-Oeste consideram fácil gerenciar seus pagamentos e despesas diárias.
Veja os principais gastos médios em MS:
- Custo de vida total: R$ 3.330 (14º maior do Brasil)
- Contas recorrentes (Água, Luz, Internet): R$ 610 (3º maior do País)
- Supermercado: R$ 970 (7º do País)
- Moradia (Aluguel/Financiamento): R$ 850
- Saúde e atividade física: R$ 280
A coleta de dados ocorreu entre o final de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026, ouvindo mais de 6 mil pessoas em todo o território nacional.
Luz também explica ao Campo Grande News que um custo de vida elevado, quando não está alinhado à renda familiar, aumenta o risco de inadimplência, o que impacta diretamente o Score.
“O Score é uma equação da vida financeira do consumidor, então ele envolve tanto a questão de dívidas, de contas que estão atrasadas, negativadas, e podem impactar negativamente no score”, alerta.
O especialista conclui reforçando que o planejamento deve ser feito de forma prática, listando ganhos e gastos em planilhas ou blocos de notas. “Quem tem um custo de vida elevado em comparação com a renda familiar deve sim ter uma preocupação com o endividamento, por isso o planejamento financeiro é tão importante”.
Fonte: Campo Grande News (por Guilherme Correia)


