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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Exportações de MS revelam nova geografia logística com avanço do Porto de Paranaguá

Redistribuição das rotas de escoamento marca o início de 2026 para o comércio exterior sul-mato-grossense

Por: Nathália Santos

Os dados divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) mostram que as exportações de Mato Grosso do Sul somaram US$ 636,9 milhões em janeiro de 2026, uma queda de 15,65% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar do recuo no valor total, o cenário revela mudanças relevantes nos corredores logísticos utilizados pelo estado e na composição dos mercados compradores, indicando um processo de reorganização do comércio exterior sul-mato-grossense.

Porto de Santos perde espaço e Paranaguá ganha protagonismo

Tradicional principal porta de saída das exportações de Mato Grosso do Sul, o Porto de Santos manteve a liderança em 2026, mas com perda significativa de participação. O valor exportado pelo porto caiu de US$ 446,6 milhões para US$ 295,5 milhões, reduzindo sua fatia de 59,15% para 46,39% do total estadual. A queda de quase 34% em valor sinaliza uma diminuição do peso do porto paulista na logística do estado.

Na contramão, o Porto de Paranaguá consolidou-se como o principal vetor de crescimento. As exportações pelo porto paranaense saltaram para US$ 231,3 milhões, crescimento de 40,84%, elevando sua participação de 21,75% para 36,32%. O desempenho aponta para uma redistribuição dos fluxos logísticos, possivelmente associada a custos, capacidade operacional e estratégias comerciais dos exportadores.

Portos alternativos e fronteiras ganham relevância

Outros terminais tradicionais apresentaram retração, como o Porto de São Francisco do Sul, com queda de 49,31%, e a ALF de Corumbá, que recuou 39,93% em valor exportado. Ainda assim, Corumbá permanece como um importante corredor logístico para cargas específicas, sobretudo aquelas ligadas à navegação fluvial.

Por outro lado, alguns pontos ganharam destaque. O Porto de Itajaí apresentou crescimento expressivo de 64,9%, enquanto o Porto do Rio de Janeiro mais que triplicou o valor exportado, com alta de 242,83%, ainda que partindo de uma base menor. Também chama atenção o avanço de Jaguarão, que reforça a importância das rotas de fronteira como alternativas de escoamento da produção estadual.

China segue líder nas exportações

No recorte por destinos, a China permanece como o principal mercado das exportações sul-mato-grossenses, absorvendo 30,6% do total em janeiro de 2026. No entanto, o valor exportado ao país asiático caiu 37,84% em relação ao ano anterior, evidenciando uma perda de participação relativa, mesmo com a liderança mantida.

Em sentido oposto, os Estados Unidos registraram forte expansão e consolidaram-se como o segundo principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul. O valor exportado saltou para US$ 53,8 milhões, crescimento de 47,74%, elevando sua participação para 8,45% do total.

O desempenho reforça o papel do mercado norte-americano como alternativa estratégica à dependência asiática.

Oriente Médio e Europa ampliam presença na pauta exportadora

Os dados também revelam uma aproximação com países do Oriente Médio, com destaque para Irã e Iraque, que apresentaram crescimentos expressivos de 254,87% e 189,29%, respectivamente. A Turquia também avançou, com alta de 75,61%, passando a ocupar posição de destaque entre os principais destinos.

Na Europa, apesar da retração em mercados tradicionais como Países Baixos e Itália, outros países ganharam espaço, como Bélgica, que mais que dobrou o valor importado de produtos sul-mato-grossenses.

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