Luiz Henrique de Oliveira Rosa tinha 29 anos e sofreu traumatismo craniano ao ser atingido por S10
Morreu no início da madrugada desta quarta-feira (18) o motociclista Luiz Henrique de Oliveira Rosa, de 29 anos, vítima de acidente ocorrido na noite de segunda-feira (16) na BR-163, em Dourados, a 251 km de Campo Grande.
Ele pilotava uma moto recém-comprada quando foi atingido por trás pela caminhonete S10 conduzida pelo empresário do ramo imobiliário Ricardo Boschetti Medeiros, de 40 anos. O impacto foi tão violento que a parte frontal da caminhonete “engoliu” a roda traseira da moto.
A caminhonete empurrou a moto por pelo menos 150 metros. Arremessado durante a batida, Luiz Henrique sofreu várias escoriações pelo corpo e teve traumatismo craniano com perda de massa encefálica. O rapaz voltava de uma partida de futebol e usava camiseta e shorts.
Socorrido pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital da Vida, Luiz Henrique morreu por volta de meia-noite. O quadro dele era considerado gravíssimo. Com o óbito, Ricardo Boschetti Medeiros vai responder por homicídio culposo (sem intenção) e por conduzir veículo sob influência de álcool.
Ele apresentava visíveis sinais de embriaguez e se negou a fazer o teste de bafômetro. Aos policiais rodoviários federais que atenderam a ocorrência, Ricardo admitiu ter consumido cerveja.
O acidente ocorreu próximo à Estação de Tratamento de Água, na saída para Caarapó. De acordo com o registro policial, Luiz Henrique seguia da Sitioca Ouro Fino e ao entrar na rodovia foi atingido por trás pela caminhonete.
O empresário permaneceu no local. Quando a equipe da PRF (Polícia Rodoviária Federal) chegou, ele tentou fugir, mas foi detido pelos policiais e algemado.
Conforme o boletim de ocorrência, durante o deslocamento para a delegacia, o empresário começou a alterar a voz com os policiais, falando que “ia dar nojo na PC”, que a algema estava apertada e causava dor nas costas, além de insinuar que a equipe estaria parando no sinal vermelho para que ele se machucasse. “Passa no vermelho com essa bosta”, teria dito.
Na Depac, ainda segundo o registro policial, Ricardo Boschetti Medeiros disse aos policiais que tinha empresa com mais de 60 funcionários e fez ameaças: “vou me lembrar de vocês depois” e “vocês vão ver o que eu vou arrumar para vocês”. Segundo a PRF, durante todo o procedimento o autor foi tratado de forma respeitosa e teve todos os seus direitos resguardados.
Quanto ao uso de algemas, a polícia relatou que era necessário para proteger a integridade física do conduzido e a segurança da equipe, já que a viatura não tinha compartimento isolado para presos e o empresário demonstrava “imprevisibilidade de ações”.
Autuado em flagrante também por ameaça e desacato, Ricardo Boschetti Medeiros não ficou nem um dia na cadeia. Na manhã de ontem, o juiz plantonista Caio Márcio de Britto lhe concedeu liberdade provisória mediante algumas medidas cautelares, como se recolher em casa no período noturno e não se ausentar da comarca por mais de oito dias. Não houve arbitramento de fiança.
No despacho em que mandou expedir o alvará de soltura, o magistrado citou que não houve pedido de prisão preventiva por parte da autoridade policial (delegado que lavrou o flagrante), tampouco do Ministério Público.
Fonte: Campo Grande News (por Helio de Freitas, de Dourados)



