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segunda-feira, 9 de março de 2026

Uma floresta de mulheres: eucalipto atrai mão de obra feminina do plantio à colheita

Da delicadeza nos viveiros ao comando de máquinas pesadas, o setor florestal vive uma transformação de gênero que impulsiona a produtividade no campo

Mato Grosso do Sul tem avançado vertiginosamente no volume de mão de obra na agropecuária. E dentro desse cenário o cultivo de eucalipto em 2025 passou a representar metade dessas vagas de trabalhos, o equivalente a 55% de todas as carteiras assinadas na agropecuária. Boa parte desses contratos de trabalho, são mão de obra feminina, do próprio estado e de outras regiões do país, que buscam por estabilidade, independência e valorização profissional.

A adesão dessas mulheres ao setor, também podem estar ligadas ao potencial econômico da atividade. No âmbito do beneficiamento, Mato Grosso do Sul consolidou-se como o líder absoluto das exportações brasileiras em 2025. O estado, segundo a Comex Stat, registrou um volume de 6.894.046 toneladas exportadas, o que representa 33,8% da participação nacional. Este desempenho coloca o MS em um patamar isolado, com um volume que é mais que o dobro das 3.418.501 toneladas embarcadas por São Paulo, o segundo colocado no ranking. Enquanto a média nacional de crescimento foi de 11,4%, Mato Grosso do Sul saltou 48,7% em comparação ao ano anterior, reafirmando sua hegemonia no mercado florestal.

E na busca pelo desenvolvimento profissional e em números como esses, mulheres como a Joérica Travasso Moreira, natural de Laranjal do Jari, saiu do Amapá, rumo ao Mato Grosso do Sul e conquistou sua vaga de trabalho. “Me mudei para Água Clara em busca de uma oportunidade. Na minha região, além da falta de vagas, sofri bastante preconceito por ser negra e pela minha orientação sexual. Aqui na MS Florestal, me sinto acolhida e valorizada por todos. Estou muito feliz e todos deveriam valorizar essa oportunidade com todas as forças”.

Joérica foi contratada, já como CLT, para participar de uma capacitação. Só depois desse treinamento será destinada para o campo, para atuar em operações de colheita do eucalipto. Essa é uma outra característica das mulheres no setor da silvicultura. Estão dispostas e ocupando vagas antes majoritariamente masculinas, como plantio, colheita e mecânica. Na MS Florestal por exemplo, empresa sul-mato-grossense, do Grupo RGE, só no plantio são 114 mulheres, sendo 11 operando como tratoristas.

De acordo com o gerente de Silvicultura da companhia, Adriano de Paula Marques, 22% do quadro de plantio de eucalipto são mulheres, com projeção positiva para avançar nesse número. “Trabalhamos sem distinção de gênero e valorizando a diversidade. Testemunhamos o potencial de cada candidata a uma vaga e percebemos, quando contratadas, o altíssimo desempenho nas atividades. Em todo setor que conseguimos diversificar por gênero ou orientação sexual, vemos a produtividade avançar”.

Bárbara de Souza Marques, engenheira florestal e engenharia de segurança no trabalho, na empresa ASJ Florestal, é gestora de 130 colaboradores, desse total 25% são mulheres. Segundo ela, no viveiro, localizado no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, 90% dos trabalhadores são mulheres. Apesar de se encontrar no setor, ela conhece os desafios. “Creio que a maior dificuldade seja ainda o setor ser considerado um ambiente predominantemente masculino. Ele ainda é, ele não é considerado, isso é uma realidade. Então, a gente ainda enfrenta um pouco de preconceito. É difícil a gente conseguir aliar credibilidade. Eles pensam: Poxa, uma mulher está tocando o serviço? Uma mulher está fazendo a gestão de uma empresa?  Em cargos de liderança, a gente não tem uma presença feminina tão grande. Em cargos técnicos, a gente já ocupa uma boa parte, mas ainda vemos essa dificuldade de acessar esses cargos da alta gestão”.

Rayane Aparecida Silva Menezes, 28 anos, engenheira florestal, depois do mestrado também se deparou com a silvicultura no desenvolvimento da sua carreira. Pesquisadora de desenvolvimento de produto, da empresa ArboGen, ela se dedica ao desenvolvimento genético do eucalipto. “Em alguns momentos, ser a única mulher exigiu uma fala mais firme, uma postura mais segura e, muitas vezes, a necessidade de provar diariamente minha capacidade de desenvolver determinadas atividades. Além disso, o trabalho no campo exige muita dedicação, resiliência e adaptação à rotina. Ainda assim, posso afirmar com convicção que nós, mulheres, também temos capacidade técnica e física para atuar nessa área, pois competência e comprometimento independe do gênero”.

Já a Carolina Conti escolheu o setor de máquinas pesadas. “Minha trajetória no setor florestal começou em 2016, como trainee, e desde então percorri todas as etapas: da sala de aula à operação de máquinas pesadas como o Forwarder e o Harvester. Fui a primeira mulher na operação florestal em Mato Grosso do Sul e essa responsabilidade abriu portas. Hoje, como instrutora na MS Florestal, meu maior objetivo é transmitir essa segurança para outras mulheres. Meu lema é que a mulher pode ser o que ela quiser, só basta querer. É gratificante servir de espelho e mostrar que, com uma boa formação e dedicação, nós podemos dominar qualquer área do campo”, destaca Carolina, primeira Instrutora de Operação Florestal do Grupo RGE.

Lana Moraes, engenheira florestal, é técnica do viveiro, e confirma que mulheres ocupam a função que quiser. “Aqui lidero uma equipe de oito pessoas, garantindo a qualidade da muda até o plantio. Muitos dizem que somos frágeis, mas temos uma força gigante; é só focar no objetivo que conseguimos. Vivi uma fase marcante quando fui mãe durante a faculdade e muitos diziam que eu não conseguiria atuar na minha área. Hoje, sou engenheira florestal, estou aqui há três anos atuando firme e forte no meio de tantos homens e sei que vou conquistar muito mais. Não é por sermos mulheres que somos frágeis; somos capazes de tudo o que quisermos.”

Em um dos principais viveiros de eucalipto do estado, localizado no município de Água Clara, a MS Florestal abriu a oportunidade para mulheres, em algum estágio de vulnerabilidade, e completou o quadro de colaboradores com 80% de mão de obra feminina. “Nossa estratégia de retenção vai além do salário. É preciso olhar para mulheres de forma digna, com programas de bem-estar emocional, consultoria financeira, licença-maternidade de seis meses, entre outros benefícios, que possam garantir que a colaboradora tenha suporte integral”, finaliza Helen Branício, coordenadora de Recrutamento e Seleção.

Mulheres interessadas em vagas de trabalho no setor de eucalipto de Mato Grosso do Sul, devem cadastrar o currículo no link: https://msflorestal.com/trabalhe-conosco/

Sobre a MS Florestal

A MS Florestal é uma empresa sul-mato-grossense que fortalece as atividades de operação florestal do Grupo RGE no Brasil, um conglomerado global com foco na manufatura sustentável de recursos naturais. Especializada na formação de florestas plantadas e na preservação ambiental, além do desenvolvimento econômico e social das comunidades onde atua, a MS Florestal participa de todas as etapas, desde o plantio do eucalipto até a manutenção da floresta. Para mais informações, acesse: www.msflorestal.com.

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