Na abertura do Conselho Deliberativo da Ibá, Horacio Lafer Piva, presidente do conselho, fez um breve comentário sobre a situação geopolítica atual, com a escalada do conflito no Oriente Médio e ações constantes do presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçam a ordem multilateral por dentro. “Tudo isso mostra as oportunidades que temos no Brasil, com agroindústria, terras raras, energia, que podem nos fortalecer”, disse.
O consultor Welber Barral voltou ao conselho para falar sobre o cenário de tarifas globais e as negociações entre Itamaraty e governo norte-americano. Barral explicou que a visita do presidente Lula aos EUA ficou para abril, a depender das tensões no Irã. Segundo ele, o Brasil continua a ser investigado na Seção 301, com expectativa de conclusão em julho. Além disso, medidas da Seção 232 seguem sendo aplicadas com impactos no país — para o setor de árvores cultivadas, os impactos recaem sobre painéis e móveis de madeira. Barral reforçou que a celulose permanece isenta de tarifas desde o ano passado.
Outro tema apresentado pelo especialista foi o acordo Mercosul-UE. Barral explicou que o Parlamento Europeu aprovou a aplicação provisória do acordo comercial em casos de ratificação pelos congressos dos países do Mercosul. Argentina e Uruguai já concluíram internamente seus respectivos processos e, no Brasil, o acordo também foi aprovado de forma recorde pela Câmara e Senado. Há a expectativa de que em maio já tenha início o cronograma de desgravação.
Barral ainda falou rapidamente sobre as perspectivas de outras negociações internacionais com Canadá, Índia, EAU e México, e chamou atenção para o adiamento da EUDR, após pressão da própria indústria europeia. Segundo ele, é possível que a legislação fique para depois de 2027, a depender das incertezas do ano.
Na sequência da reunião, Diego Camelo, coordenador de Políticas Florestais, apresentou a densa agenda realizada em Brasília com foco na transição de defensivo para formigas cortadeiras e na proposta da Lista de Espécies Exóticas Invasoras. Adriano Scarpa, gerente de Sustentabilidade e Políticas Florestais, tratou da proposta de alteração da Lei de Proteção de Cultivares, cujos esforços se voltaram ao PL 404, e na regulamentação da SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões).
O embaixador José Carlos da Fonseca Jr, por sua vez, apresentou a agenda político-legislativa, com o acompanhamento do setor em relação à modernização da jornada de trabalho. Maurício Cazati falou dos temas tributários. Francisco Bueno, assessor Jurídico, tratou da pauta de aumento de autos de infração pelo piso mínimo de frete e excesso de peso por eixo.
Paulo Hartung encerrou a reunião mostrando o calendário de encontros para os próximos meses. Reforçou que as datas foram enviadas, como de praxe, em dezembro aos conselheiros, mas que a Ibá está aberta a adaptações para manter o nível de participação nos encontros.


