Estado apresenta experiências em Saúde Única durante conferência realizada em Campo Grande
A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) destacou o protagonismo do Estado na agenda internacional de Saúde Única durante a COP-15 CMS (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens), realizada nesta segunda-feira (23), em Campo Grande. A participação ocorreu por meio da Coordenadoria de Saúde Única, com a apresentação de estratégias, projetos e políticas públicas desenvolvidas no território sul-mato-grossense.
A palestra integrou a programação do Espaço Brasil com o painel “Um só organismo, uma só saúde: Integrando rios, florestas e saúde oceânica, com foco nas espécies migratórias”, reunindo especialistas de diferentes áreas para debater a integração entre saúde e biodiversidade.
Participaram do painel a coordenadora de Saúde Única da SES, Danila Frias; Vivyanne Magalhães, do Ministério da Saúde; Camila Domit, da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da Rede Paraná pela Década do Oceano; e Patrícia Serafini, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Integração entre saúde e biodiversidade
Durante a apresentação, Danila Frias destacou a importância da integração entre saúde humana, animal e ambiental, especialmente em um território como Mato Grosso do Sul, que abriga parte do Pantanal e está inserido em rotas de espécies migratórias.
“A participação na COP-15 reforça o compromisso do Estado em desenvolver políticas públicas integradas, que reconhecem a relação direta entre a saúde da população, dos animais e dos ecossistemas. Trabalhar essa conexão é essencial para prevenir doenças e promover qualidade de vida de forma sustentável”, afirmou.
A coordenadora também apresentou ações desenvolvidas no Estado, com foco em vigilância integrada, monitoramento de doenças e educação em saúde. As estratégias envolvem a atuação conjunta com a SEMADESC (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), e a SEAD (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), reforçando a construção de políticas públicas intersetoriais.
As ações estão alinhadas ao plano de governo estadual, no qual a Saúde Única atua como eixo estruturante, considerando o equilíbrio do ecossistema como um todo e a importância do cuidado com o meio ambiente e com os animais na prevenção de agravos à saúde.
Articulação nacional e experiências nos estados
Representando o Ministério da Saúde, Vivyanne Magalhães destacou a importância do debate e o avanço da agenda de Saúde Única no país.
“Foi um momento extremamente importante, com uma mesa composta por mulheres com grande capacidade técnica, apresentando ações concretas. Além das iniciativas nacionais, também trouxemos experiências práticas desenvolvidas nos estados, como o fortalecimento da Saúde Única em Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Segundo ela, o Ministério está em fase final de elaboração do Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde, que tem como objetivo ampliar a implementação da estratégia nos estados.
“Esse trabalho já vem sendo desenvolvido há anos, em diferentes esferas e com várias instituições envolvidas. A institucionalização, por meio do comitê técnico interinstitucional, fortalece essa agenda e amplia a capacidade de mobilização para que as ações aconteçam de forma efetiva nos territórios”, completou.
Conexão entre biodiversidade e saúde global
Representando a UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a Rede Paraná pela Década do Oceano, Camila Domit destacou que os debates da COP-15 reforçam a interdependência entre os sistemas naturais e a saúde.
“O planeta funciona de forma integrada. A saúde da biodiversidade está diretamente relacionada à saúde ambiental e à saúde humana. As questões sociais, econômicas e ambientais estão interconectadas e exigem uma governança estratégica que tenha a saúde como eixo central e que leve à sociedade a compreensão da importância de cuidar da biodiversidade”, explicou.



Monitoramento e evidências no litoral brasileiro
A analista ambiental do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Patrícia Serafini, destacou o papel das espécies migratórias como indicadoras de alterações ambientais e sanitárias.
“No contexto das espécies migratórias, a Saúde Única é indispensável. Esses animais funcionam como sentinelas do que está acontecendo no planeta e nos ajudam a compreender mudanças que muitas vezes não são visíveis diretamente”, afirmou.
Ela também apresentou o monitoramento de praias como uma das principais ferramentas utilizadas no Brasil.
“Cerca de 40% do litoral brasileiro é monitorado diariamente por meio de programas vinculados ao licenciamento ambiental federal. Esse trabalho permite identificar causas de morte dos animais, presença de contaminantes, doenças e patógenos, trazendo evidências sobre o que ocorre no oceano, inclusive em áreas de difícil acesso”, explicou.
Campo Grande como sede de discussão internacional
A realização da COP-15 CMS em Campo Grande reúne representantes de diversos países para discutir a preservação da biodiversidade, com foco nas espécies migratórias e nos impactos ambientais que atravessam fronteiras. O evento amplia o debate sobre como diferentes áreas, saúde, meio ambiente e desenvolvimento, se conectam diante de desafios globais cada vez mais interdependentes.
André Lima, Comunicação SES








