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quarta-feira, 25 de março de 2026

Doação de leite humano cresce em MS e amplia proteção a recém-nascidos, mas estoque baixo no Humap acende alerta

Mesmo com aumento na coleta em 2025 e avanço da rede estadual, Banco de Leite do hospital tem volume para apenas três dias e reforça pedido por doações

Mato Grosso do Sul registrou crescimento na doação de leite humano em 2025, com aumento no volume coletado em quatro dos cinco bancos de leite do Estado. Apesar do avanço, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), em Campo Grande, enfrenta uma situação de alerta: o estoque atual é suficiente para apenas três dias.

Mato Grosso do Sul conta com cinco bancos de leite integrados à Rede Brasileira de BLH (Bancos de Leite Humano). Juntas, as unidades ultrapassam 7 mil litros coletados apenas em 2025, consolidando uma rede estratégica para a saúde neonatal no Estado.

No Banco de Leite do HU-UFMS (Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o volume passou de 1.036,1 litros em 2024 para 1.104,1 litros em 2025. Na Santa Casa de Campo Grande, houve crescimento de 1.609,6 para 1.771,2 litros no mesmo período.

O BLH Dr. João Aprígio, da Maternidade Cândido Mariano, registrou aumento de 2.043,2 para 2.350,2 litros, além de ampliação no número de doadoras, que passou de 1.779 para 1.923.

Já o HU da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) elevou a coleta de 1.501,5 para 1.567,8 litros. Já o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul manteve a assistência, com 464,5 litros distribuídos em 2025, e registrou aumento de 24 receptores atendidos, passando de 623 em 2024 para 647 em 2025.

Além do crescimento no volume coletado, os dados mostram ampliação no número de recém-nascidos beneficiados. O leite humano doado é coletado, testado e pasteurizado antes de ser distribuído às UTIs neonatais, contribuindo para a prevenção de infecções, ganho de peso adequado e redução do tempo de internação.

Política pública que salva vidas

A secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que os números refletem o fortalecimento da política pública de apoio à amamentação. “Cada litro coletado representa uma rede funcionando: profissionais capacitados, mães sensibilizadas e bebês recebendo um alimento que salva vidas. Fortalecer os bancos de leite é investir diretamente na redução da mortalidade infantil e na qualidade da assistência neonatal”.

O avanço também está diretamente ligado à segurança alimentar e nutricional na primeira infância. Para o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, a amamentação é uma política estruturante.

“A amamentação é o primeiro passo para uma vida saudável e está diretamente ligada à segurança alimentar e nutricional. Quando promovemos o aleitamento materno e orientamos corretamente a introdução alimentar, prevenimos deficiências nutricionais, excesso de peso e doenças crônicas. É uma agenda permanente da saúde pública”.

Rede começa no pré-natal e passa pela APS

O fortalecimento da rede começa ainda no pré-natal e passa pela atuação da APS (Atenção Primária à Saúde). Segundo a referência técnica em aleitamento materno da SES, Liliane Rodrigues, o incentivo precisa ser contínuo. “A APS é a porta de entrada do SUS (Sistema Único de Saúde) e tem papel decisivo na orientação às gestantes e puérperas. O banco de leite não é apenas coleta e distribuição. É acolhimento, orientação e suporte. Cada doação pode fazer diferença direta na recuperação de um recém-nascido”.

Diante do cenário atual, Liliane reforça o alerta para a necessidade imediata de novas doações, especialmente para atender unidades com estoque crítico. “Mesmo com o aumento nas doações em todo o Estado, ainda enfrentamos situações pontuais de baixa nos estoques, como no Humap. Hoje, esse leite pode faltar em poucos dias. Por isso, é fundamental que as mães que podem doar procurem os bancos de leite. Essa é uma ação simples, mas que tem impacto direto na sobrevivência e recuperação desses bebês”.

Encontro nacional reforça mobilização em MS

O protagonismo do Estado na área será reforçado com a realização, de 26 a 30 de abril, do XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno e do VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável, que reunirá especialistas, profissionais e mães, além do ato público “Mil Mães Amamentando”, previsto para a abertura.

Mesmo com o crescimento nos índices de doação em Mato Grosso do Sul, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian reforça que o momento ainda é de atenção: o estoque permanece baixo e novas doações são essenciais para garantir o atendimento contínuo aos recém-nascidos internados.

(*) André Lima, Comunicação SES

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