Pesquisa é divulgada nesta quarta (25), primeiro dia do 11º Congresso de Inovação da Indústria. Evento em SP reúne governo, academia e setor privado para discutir desafios, tendências e políticas de fomento
Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 61% das indústrias brasileiras realizaram atividades de inovação nos últimos três anos. O foco das empresas tem sido a modernização interna: 69% direcionaram seus esforços para a melhoria de processos produtivos. Como reflexo dessas iniciativas, 38% das indústrias registraram o aumento de produtividade como o principal resultado alcançado, seguido por acesso a novos mercados (21%) e redução de custos (19%).
A pesquisa é divulgada no primeiro dia do 11º Congresso de Inovação da Indústria, que acontece nesta quarta-feira (25) e quinta-feira (26), no WTC, em São Paulo. “O nosso objetivo é fortalecer o ecossistema nacional de ciência e tecnologia, promover um diálogo direto entre o setor público e o privado e propor soluções reais para destravar o acesso aos instrumentos de fomento no Brasil”, explica o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Jefferson Gomes.
Um dos principais eventos de inovação industrial da América Latina, o Congresso é uma iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) e correalizado pelo Sistema Indústria – que reúne a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) – e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
No Congresso serão debatidos oportunidades e entraves do setor produtivo na busca pela inovação e competitividade, a integração entre práticas sustentáveis e tecnologias digitais, além do reconhecimento de empresas, ecossistemas e pesquisadores que mais se destacaram por melhores práticas por meio do Prêmio Nacional de Inovação.
A participação é gratuita e voltada a lideranças empresariais, especialistas e pesquisadores do ecossistema de inovação público e privado, incluindo empresas, Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e startups.
Burocracia é entrave para quem busca incentivo público à inovação
De acordo com a pesquisa, ao acessar instrumentos públicos de apoio à inovação, 36% dos empresários afirmaram que o excesso de burocracia é o maior entrave. A região Nordeste é a que mais sente esse reflexo, com a percepção de 48% dos industriais, enquanto o Sudeste é a região com menos impacto, com 32%.
As dificuldades são seguidas de risco de glosa/penalidades futuras (5%), falta de entendimento das regras (5%), lentidão na análise dos processos (5%) e baixa previsibilidade (3%).
Quatro em cada 10 empresários (42%) afirmam que nem sequer tentaram acessar os instrumentos públicos de apoio à inovação. O índice é maior no Nordeste (45%) e no Sudeste (44%) menor no Norte/Centro-Oeste (29%).
Quase metade das empresas (46%) afirmam que a redução das exigências documentais melhoraria o acesso ao fomento. Em seguida, aparecem a rede de consultores credenciados para MPMEs, com 29%, cadastro nacional único de empresas inovadoras, também com 29%, uso de inteligência artificial na triagem e análise inicial, tornando o processo mais rápido (26%), e acelerar projetos estratégicos, como inteligência artificial e descarbonização (18%).
Para Jefferson Gomes, a indústria brasileira tem vocação e vontade de inovar, no entanto, o excesso de burocracia segura um avanço que poderia ser muito maior. “O excesso de exigências documentais e a lentidão nas análises, que podem levar mais de um ano, são totalmente incompatíveis com a velocidade da tecnologia. Essa complexidade dos editais e o risco constante de punições caso o projeto precise mudar de rota afasta a indústria do desenvolvimento e a obriga a recorrer ao autofinanciamento”, destaca.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding. Foram entrevistados, por telefone, executivos de 1.002 empresas industriais (502 de pequeno porte e 500 de médio e grande porte), distribuídas proporcionalmente por todas as regiões do país. O período de campo ocorreu entre 03 e 25 de fevereiro de 2026.
CNI percorre o país e traça plano para desburocratizar acesso ao fomento tecnológico
Os dados alarmantes sobre os gargalos para inovar no Brasil não são apenas números isolados, mas o reflexo de uma realidade ouvida de perto pela CNI diretamente das indústrias. A nova pesquisa nacional dialoga com os achados da Jornada Nacional da Inovação da Indústria, uma iniciativa inédita da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) em parceria com o Sebrae. Entre julho de 2025 e março de 2026, o movimento itinerante percorreu as cinco regiões do país e realizou 50 encontros com empresários para mapear desafios, oportunidades e inovações com identidade regional.
Durante a Jornada, ficou constatado que a indústria busca a modernização interna para produzir melhor e mais barato, alcançando ganhos de eficiência que vão de 20% a 64% com redução de desperdícios e de consumo de energia. No entanto, a burocracia extrema, a linguagem complexa dos editais e o risco de severas multas caso o projeto inovador precise mudar de rota (pivotar) afastam as empresas dos recursos.
Para reverter este cenário de distanciamento e destravar bilhões de reais disponíveis em linhas de apoio, a Jornada consolidou uma série de propostas de políticas públicas que pautarão as discussões no 11º Congresso de Inovação da Indústria.



