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sexta-feira, 27 de março de 2026

BNDES vai destinar R$ 10 bi para indústria 4.0 e bens de capital verde

Recursos foram anunciados nesta sexta-feira (27), em São Paulo, durante seminário da CNI sobre o Acordo Mercosul-UE

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, anunciou nesta sexta-feira (27) R$ 10 bilhões em novas linhas de crédito voltadas à indústria brasileira. O anúncio foi feito durante o seminário “Acordo Mercosul-União Europeia: um novo capítulo para a indústria brasileira”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.

Os recursos serão destinados ao financiamento da difusão de tecnologias da indústria 4.0 e à produção de bens de capital voltados à economia verde, no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB). Do total, R$ 7 bilhões serão direcionados à digitalização industrial e R$ 3 bilhões para projetos sustentáveis, ambos com taxa média de 6,5% ao ano.

“São linhas de crédito fundamentais para modernizar o parque fabril no país e, com isso, gerar o aumento da produtividade, ampliando a competitividade da indústria”, explicou o presidente do BNDES.

Na última quarta-feira (25), o BNDES já havia anunciado a destinação de R$ 15 bilhões para o financiamento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) voltado a operações de créditos para exportações, por meio da Medida Provisória 1.345/2026, que cria o Plano Brasil Soberano 2. Ao todo, os recursos destinados à indústria somam R$ 25 bilhões para diferentes frentes.

Evento destaca implementação do acordo

A abertura do seminário reuniu representantes do governo e do setor produtivo para discutir os impactos do Acordo Mercosul-União Europeia, que entra em fase de aplicação provisória em maio, após mais de duas décadas de negociações.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou a relevância estratégica do acordo para ampliar mercados e investimentos. Para ele, não avançar em acordos comerciais significa perder competitividade frente a outros países. “Quando eu não faço o acordo, eu não fiquei parado, eu fui para trás, porque alguém fez e vai ter preferência sobre o meu produto”, disse Alckmin. “O acordo Mercosul-UE é o maior entre blocos do mundo e já entra em vigência agora, então as oportunidades que nós teremos são extraordinárias”, completou.

O anfitrião do evento e presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou que o momento exige foco na preparação interna para que o país aproveite as oportunidades do acordo, com uma agenda baseada em inovação, investimentos e melhoria do ambiente de negócios. “Entramos agora em uma nova etapa. O foco passa a ser a implementação do acordo e, para alcançarmos resultados com a integração entre Mercosul e UE, precisamos de uma agenda consistente que permita que as empresas brasileiras concorram em igualdade de condições no mercado mundial”, afirmou Alban.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reforçou que o tratado entre os blocos é essencial para o futuro econômico do Brasil e está inserido em uma janela de decisões fundamentais para o país. “Ele é mais do que uma escolha econômica para nós. Nós não temos escolha, é uma questão de necessidade estratégica para o Brasil”, analisou Tebet.

Último evento de Alckmin como ministro

A abertura do seminário da CNI também marcou o último compromisso público de Geraldo Alckmin como ministro do MDIC. Ele foi homenageado por autoridades e representantes da indústria, que destacaram sua atuação na construção da Nova Indústria Brasil e no fortalecimento da agenda de desenvolvimento produtivo.

Nova fase do acordo

Com a conclusão dos processos de promulgação, o Acordo Mercosul-União Europeia passa a vigorar provisoriamente a partir de 1º de maio, inaugurando uma nova etapa na integração entre os blocos.

Os dados do comércio bilateral indicam o potencial do acordo para ampliar a relação econômica bilateral. Dados da CNI mostram que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia foram criados 21,8 mil empregos, com R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

O bloco europeu foi o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com US$ 48,2 bilhões em exportações (14,3% do total) e US$ 47,2 bilhões em importações (17,9%). A indústria de transformação concentra essa relação, respondendo por 98,4% das importações brasileiras e 46,3% das exportações ao bloco.

A União Europeia também é o principal investidor estrangeiro no Brasil, com 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023 (US$ 321,4 bilhões), e o país é o maior investidor latino-americano no bloco.

Além disso, segundo análise da CNI, o acordo pode ampliar de 8,9% para 37,6% a cobertura dos acordos comerciais brasileiros sobre as importações mundiais, zerando ainda tarifas para mais da metade dos produtos negociados.

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