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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Vale da Celulose vive ‘boom bilionário’ e enfrenta desafios de mão de obra e infraestrutura

Expansão histórica no Mato Grosso do Sul impulsiona economia, mas pressiona serviços públicos e evidencia escassez de profissionais qualificados

O Mato Grosso do Sul consolidou-se como o principal polo da indústria de celulose no Brasil, ganhando o apelido de “Vale da Celulose”. Com mais de R$ 63 bilhões em novos investimentos confirmados, o estado projeta um aumento de 9 milhões de toneladas anuais na capacidade produtiva, além da ampliação significativa das áreas de cultivo de eucalipto.

Vale da Celulose vive ‘boom bilionário’ e enfrenta desafios de mão de obra e infraestrutura
Unidade da Suzano de Ribas do Rio Pardo, era cerca de 3 mil empregos operacionais (diretos e terceirizados) na fase de produção, abrangendo atividades industriais, florestais e logísticas (Foto: Assessoria).

A região já abriga importantes operações industriais, como as unidades da Suzano e da Eldorado Brasil em Três Lagoas, além da nova planta da Suzano em Ribas do Rio Pardo. O movimento de expansão continua com a chilena Arauco, que constrói uma megafábrica em Inocência, e com a Bracell, que deve iniciar obras em Bataguassu, provavelmente ainda em 2026.

FALTA DE MÃO DE OBRA VIRA GARGALO

O ritmo acelerado dos investimentos trouxe à tona um problema crítico: a escassez de mão de obra qualificada. Apesar de parcerias consolidadas com o Sistema S, especialmente com o SENAI, a oferta de profissionais não acompanha a demanda crescente.

Vale da Celulose vive ‘boom bilionário’ e enfrenta desafios de mão de obra e infraestrutura
A unidade da Suzano em Três Lagoas (MS) gera cerca de 6 mil empregos diretos (entre colaboradores próprios e terceiros) (Foto: Ricardo Ojeda/Perfil News)

A cooperação entre indústria e instituições de formação começou há quase duas décadas, ainda com a antiga VCP — hoje incorporada pela Suzano — e se expandiu com novos projetos ao longo dos anos. Atualmente, somente o projeto da Arauco já capacita mais de 500 pessoas. Ainda assim, as empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas e recorrem a trabalhadores de outras cidades.

No mercado local, a percepção é clara: há mais oportunidades do que profissionais disponíveis. A oferta de empregos é constante, reforçando a ideia de pleno emprego no setor.

CRESCIMENTO ECONÔMICO E PRESSÃO SOCIAL

Vale da Celulose vive ‘boom bilionário’ e enfrenta desafios de mão de obra e infraestrutura
O Projeto Sucuriú da Arauco, localizado em Inocência (MS), vai gerar até 20 mil empregos no total, sendo cerca de 14 mil vagas durante o pico da obra e aproximadamente 6 mil postos de trabalho (diretos e indiretos) na operação, após a conclusão da fábrica (Foto: Assessoria)

O boom da celulose aqueceu a economia regional. O comércio se expande, novos negócios surgem e cidades passam por transformações rápidas. Em Inocência, por exemplo, a população quase triplicou impulsionada pelas obras da nova fábrica.

Entretanto, o crescimento acelerado trouxe desafios estruturais. Serviços públicos como saúde e segurança enfrentam pressão crescente, enquanto a moradia se tornou um dos principais problemas. Em algumas cidades, o valor dos imóveis e aluguéis chegou a subir em alguns em mais de 200%.

As rodovias também sentem os impactos, com aumento significativo no fluxo de veículos, tanto de trabalhadores quanto para o escoamento da produção industrial.

Vale da Celulose vive ‘boom bilionário’ e enfrenta desafios de mão de obra e infraestrutura
A Eldorado Brasil Celulose emprega mais de 5.300 colaboradores diretos e terceirizados (Foto: Assessoria)

PARADOXO DO DESENVOLVIMENTO

A chegada de empresas prestadoras de serviços ampliou ainda mais a atividade econômica, criando um ecossistema robusto ao redor da indústria de celulose. No entanto, esse avanço escancarou um paradoxo: quanto mais investimentos chegam, mais evidente se torna a falta de pessoas e infraestrutura para sustentar o crescimento.

Diante desse cenário, o Sistema S segue como peça estratégica para enfrentar o chamado “apagão de talentos”. A mudança de abordagem já é visível: as empresas passaram a investir não apenas na contratação, mas na formação e retenção de profissionais.

O desafio agora é ganhar escala — garantir que o desenvolvimento do Vale da Celulose não seja limitado justamente pela falta de gente e de estrutura para sustentá-lo.

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