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Três Lagoas
quarta-feira, 22 de abril de 2026

Três Lagoas volta a ser foco de desenvolvimento com a retomada da UFN3 pela Petrobras

A UFN3 vai produzir 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano

O anúncio da Petrobras na segunda-feira passada colocou Três Lagoas novamente no centro do mapa de investimentos. A estatal aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), paralisada desde 2014.  A previsão é que as obras recomecem ainda no primeiro semestre deste ano, com investimento estimado em US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5 bilhões.

Nos últimos anos, Três Lagoas ficou como coadjuvante enquanto Inocência concentrava os impactos da fábrica de celulose da Arauco. Muitos dos efeitos, como alta de imóveis, demanda por alojamento e contratações, chegavam de forma indireta à cidade.

Agora, o impacto será direto. Com mais de R$ 5 bilhões de investimento e meta de acelerar a conclusão, Três Lagoas volta a ser foco de desenvolvimento e deve sentir novamente a pressão sobre moradia, serviços públicos e infraestrutura.

CETISMO

A notícia da retomada dividiu opiniões. Parte da população não acredita que a obra inicie este ano. O ceticismo vem do histórico: o empreendimento já teve a retomada anunciada várias vezes sem sair do papel. Além disso, 2026 é ano político, o que aumenta a desconfiança.

Mas, desta vez, quem bateu o martelo foi o conselho da Petrobras. Após reavaliação criteriosa, o colegiado decidiu que o projeto tem viabilidade técnica e econômica. A estatal também mudou a estratégia: a obra foi fatiada e será tocada por várias empresas. Algumas delas já estão adiantadas e começaram a fazer contratações. Outras aguardam apenas a assinatura do contrato com a Petrobras para iniciar.

Quem mais deve comemorar é o setor do campo. A UFN3 vai produzir 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais consumido no país, com demanda próxima de 7 milhões de toneladas em 2025, hoje atendida apenas por importações.

A localização da fábrica facilita o atendimento a produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. Com produção nacional, a expectativa é de redução no preço dos insumos. Se o custo do fertilizante cair, o impacto deve chegar ao produto final para o consumidor.

HISTÓRICO CONTURBADO

As obras da UFN3 começaram em 2011 e foram interrompidas em dezembro de 2014, quando a Petrobras encerrou o contrato com o consórcio responsável por descumprimento contratual. Em 2017, a estatal colocou a unidade à venda dentro da estratégia de saída do setor de fertilizantes. Em 2018, chegou a negociar com o grupo russo Acron.

A estimativa é que as operações comerciais da UFN3 comecem em 2029. Mesmo com incrédulos e otimistas, Três Lagoas se prepara para mais um boom. A cidade, que já convive com os efeitos do Vale da Celulose, terá que lidar novamente com o desafio de crescer com estrutura.

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