A capital sul-mato-grossense será palco, neste 1º de maio, do lançamento de uma obra que ultrapassa os limites da literatura tradicional e se firma como um verdadeiro convite ao autoconhecimento. A escritora Sarah Figueiró Curvo apresenta seu novo livro, “O pulo para dentro”, uma narrativa intensa, sensível e profundamente humana.
Mais do que um livro, a obra nasce como um processo de enfrentamento interno. Um registro corajoso de quem decidiu olhar para si mesma quando tudo parecia ruir. Em um relato autobiográfico e terapêutico, Sarah transforma experiências pessoais em palavras que dialogam com dores universais: o vazio, a insegurança, a busca por sentido e o desejo de seguir vivendo.
No prefácio, a autora deixa claro o tom confessional da obra. Trata-se de um mergulho em sua própria história, marcada por uma crise profunda de identidade e desvalorização pessoal. Um dos momentos mais simbólicos surge no diálogo com sua psiquiatra: diante do impulso de “pular da janela”, a escritora é provocada a fazer o movimento inverso, “pular para dentro”. É a partir desse ponto que a narrativa ganha força e significado.
Ao longo das páginas, Sarah expõe com franqueza sua complexa constituição psíquica, revelando diagnósticos como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e Altas Habilidades/Superdotação. A combinação, segundo ela, intensifica a sensibilidade e cria uma inquietação constante, um desejo quase urgente de encontrar propósito além das exigências superficiais da vida cotidiana.
A espiritualidade ocupa papel central em sua trajetória. Desde a infância, relata experiências mediúnicas e sua atuação em centros espíritas, além de práticas voltadas à conexão com ancestrais e tradições espirituais diversas. No entanto, a obra também marca um ponto de virada: a autora decide encerrar esse ciclo e se abrir a novos caminhos, assumindo o compromisso de estudar o Budismo e praticar a filosofia Reiyukai.
Inspirando-se no conto místico de Vasalisa, a Sabida, Sarah conduz o leitor por etapas simbólicas de evolução psíquica, propondo reflexões sobre identidade, autonomia emocional e a necessidade de romper com padrões que silenciam a própria intuição. É um chamado à coragem de abandonar versões antigas de si mesmo para permitir o nascimento de uma consciência mais autêntica.
“O pulo para dentro” é, acima de tudo, um testemunho de transformação. A dor, longe de ser romantizada, é apresentada como matéria-prima para o despertar. A autora traduz esse processo em práticas que levam sua assinatura, como a Prana Dança e a Terapia Malikah — iniciativas que unem corpo, energia e espiritualidade em busca de equilíbrio e reconexão.

Ao utilizar o arquétipo de Quíron — o curador ferido —, Sarah reforça a ideia de que a capacidade de cuidar do outro nasce, muitas vezes, das próprias feridas. Seu livro, portanto, não é apenas uma história pessoal, mas um convite direto ao leitor: olhar para dentro, reconhecer sombras e transformar “karmas em dharmas”, ou seja, desafios em propósito.
Com uma escrita íntima e reflexiva, a autora defende que escrever em primeira pessoa é um ato de exposição e entrega — uma forma de se colocar em risco diante das próprias verdades. Para ela, a linguagem da experiência carrega não só quem escreve, mas também quem lê, criando uma ponte entre histórias individuais e sentimentos coletivos.
Encerrando a obra com um posicionamento firme, Sarah se coloca como sujeito e objeto de sua própria investigação. Seu objetivo é compreender a si mesma em profundidade — consciente e inconsciente — e transformar esse processo em ferramenta de fortalecimento e equilíbrio.
Este é o sexto livro da autora, que já construiu uma trajetória literária marcada pela introspecção e pela busca de sentido. Entre suas obras anteriores estão “Tecido Sentido”, “A Dança da Auto-Investigação”, “Magia Exterior”, “Travessias Ornamentais” e “Canto de Amor para Bia”.
SERVIÇO
O lançamento acontece nesta sexta-feira (1º), a partir das 18h, no Jardim Secreto Bar, em Campo Grande. A noite promete unir literatura e música em um ambiente de conexão e sensibilidade, com apresentação do Trio Vibrações, trazendo o melhor do choro.
Mais do que um evento cultural, será um encontro com histórias que ecoam dentro de quem se permite escutar.
Por: Pollyanna Eloy





